TV italiana cresce em março: futebol da Seleção, força das fiction e o sucesso digital de «Mare fuori»
Em março a TV italiana cresceu: futebol da seleção, ficção forte e o sucesso digital de «Mare fuori» impulsionaram audiência e consumo em prime time.
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TV italiana cresce em março: futebol da Seleção, força das fiction e o sucesso digital de «Mare fuori»
Por Chiara Lombardi — Em um mês marcado por acontecimentos que funcionam como pequenos espelhos do nosso tempo, a TV italiana mostrou sinais de vigor: em março o universo televisivo somou cerca de 100 mil espectadores médios a mais no prime time, um dado modesto em números absolutos, mas expressivo diante de uma oferta mediática cada vez mais fragmentada entre plataformas e redes sociais.
Segundo a análise da Geca e dos Sensemakers sobre dados Auditel, foram registrados aproximadamente 19,377 milhões de espectadores médios no prime time durante o mês, com um consumo diário por pessoa de cerca de 3 horas e 25 minutos. Além disso, o chamado "ascolto non riconosciuto" — ou seja, o consumo audiovisual em serviços não totalmente captados pela medição tradicional — atinge cerca de 4,5 milhões na primeira serata, demonstrando que a audiência agora se desdobra entre canais clássicos e ecossistemas digitais.
Dois elementos do calendário ajudaram a impulsionar esse reframe: o esporte ao vivo e a ficção. As partidas da Itália contra a Irlanda do Norte e a Bósnia deram à Rai1 um verdadeiro colosso de audiência — mais de 11,3 milhões de espectadores, equivalentes a cerca de 50% de share. Para as emissoras, a eliminação da Itália representaria, paradoxalmente, um problema sério: perder um evento que concentra massas na frente da televisão.
No front do entretenimento, os programas de access prime time seguem dominantes. As duplas históricas — a versão de «Ruota» e «Affari tuoi» — quase alcançaram juntas os 10 milhões de espectadores, ultrapassando os 47% de share. A solidez desses formatos reforça a ideia de que a TV ainda sabe organizar momentos coletivos em torno de rituais noturnos.
Já na prime time, as fiction da Rai continuam a engordar a audiência: «Imma Tataranni 5» atingiu cerca de 4,2 milhões, «Don Matteo 15» rondou os 3,7 milhões, e «Guerrieri» ficou em torno de 3,5 milhões. Programas como «Scherzi a parte» e «The Voice Generations» marcaram cerca de 3,1 milhões cada. Outras propostas— «Stasera tutto è possibile» (2,2 milhões), «8 e mezzo» (2 milhões) e «diMartedì» (1,7 milhões) — completam um painel que mistura entretenimento e informação.
Chama atenção também o crescimento de grupos: a Mediaset cresceu 8,8% na prime time em relação ao ano anterior, enquanto a La7 registrou avanço de 3%. E, no digital, a série «Mare fuori», disponibilizada em janela apenas no RaiPlay, capitalizou quase 3 milhões de espectadores — um lembrete de que a narrativa serial encontrou novas geometrias de distribuição.
Há, porém, uma tensão crítica — apontada por vozes do setor, entre elas o produtor Carlo Degli Esposti: o sucesso do access prime time é válido na medida em que consegue arrastar o público para a verdadeira primeira serata. Com o deslocamento do início dos programas principais para além das 22h, corre-se o risco de dispersar essa ponte entre acesso e pico, provocando uma potencial desafeição.
No balanço, o quadro é de resistência e adaptação: esporte ao vivo, fiction, entretenimento e informação continuam a formar o tecido específico da TV, ao mesmo tempo em que novas janelas digitais reescrevem as possibilidades de alcance. Apresentada hoje a sétima temporada da fiction citada, reforçando a ideia de que as séries permanecem o roteiro oculto que conecta memórias coletivas e hábitos contemporâneos.
Dados e análise em colaboração com Massimo Scaglioni; elaboração Geca e Sensemakers sobre dados Auditel. — Chiara Lombardi