Uffizi sob suspeita de ataque hacker: dados de câmeras e senhas seriam vazados, mas museu nega
Uffizi na mira: reportagem afirma vazamento de dados e câmeras após suposto ataque hacker; museu nega roubo e diz que sistemas não foram comprometidos.
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Uffizi sob suspeita de ataque hacker: dados de câmeras e senhas seriam vazados, mas museu nega
Por Chiara Lombardi — Em um episódio que parece extrair seu enredo de um thriller tecnológico, as Gallerie degli Uffizi voltaram ao centro das atenções por uma alegação de ataque hacker que, segundo reportagens, teria exposto informações sensíveis do acervo e da segurança do museu.
De acordo com a investigação jornalística que circulou nos últimos dias, entre o final de janeiro e o começo de fevereiro hackers teriam conseguido acessar e copiar, ao longo de meses, elementos que vão desde códigos de acesso e senhas até mapas internos, entradas, saídas, rotas de serviço e o posicionamento de câmeras e sensores. A reportagem aponta que o ponto de entrada teria sido um ponto fraco nos serviços informáticos do museu: o sistema que gerencia o fluxo de imagens em baixa resolução. A partir daí, os invasores supostamente teriam escalado privilégios e reunido os chamados dados sensíveis, para depois ameaçar vender o material no dark web.
Relata-se também que a ameaça chegou a ser enviada ao telefone pessoal do diretor do polo museal, Simone Verde, e que houve contatos diretos entre os criminosos e a instituição. Em reação, o museu teria tomado medidas drásticas: o fechamento de um setor inteiro do Palazzo Pitti até segunda ordem, a transferência apressada das joias mais valiosas do Tesouro dos Grandi Duchi para o cofre da Banca d'Italia e até o lacre de saídas de emergência com cal e tijolos — imagens que remetem ao gesto simbólico de blindagem e que funcionam como um espelho do nosso tempo, onde a fragilidade da memória material encontra a urgência da proteção.
As autoridades — Ministério Público, polizia postale e a Agência Nacional de Cibersegurança — teriam aberto investigações, mas, curiosamente, os comunicados indicam que, há meses, os invasores não mantêm contato contínuo. A hipótese de extorsão e comercialização de dados no mercado ilegal permaneceu como pano de fundo até a manhã em que o próprio museu ofereceu uma resposta pública contundente.
Em nota oficial, as Gallerie degli Uffizi negaram integralmente as reconstruções divulgadas, afirmando que não houve roubo de dados sensíveis, nenhum dano às infraestruturas de segurança e que as senhas e sistemas não foram comprometidos. O museu destaca que seus sistemas de segurança são internos e não expostos externamente, e que as câmeras vinham sendo substituídas de forma progressiva ao longo do último ano — um processo intensificado após indicações policiais em 2024 e os eventos que abalaram outras instituições europeias, como o Louvre.
Os Uffizi também refutaram a versão de que mapas de segurança tenham sido obtidos ou que telefones de funcionários tenham sido invadidos, lembrando que a posição das câmeras em áreas públicas é, por sua natureza, de fácil observação.
Enquanto o episódio ganha camadas — uma alegação jornalística robusta e uma negação oficial igualmente firme —, cabe olhar além do fato em si. Este caso funciona como um reframe da realidade museal: ele nos obriga a repensar como preservamos não só objetos e narrativas, mas também as infraestruturas digitais que hoje sustentam a memória pública. A diferença entre rumor e confirmação, entre instrumentalização midiática e prova forense, define o roteiro oculto desta nova forma de vulnerabilidade cultural. No palco do patrimônio, a segurança agora é tão narrativa quanto conservação.
Continuaremos acompanhando os desdobramentos das investigações oficiais e as comunicações institucionais, porque, no fim, o que está em jogo é a confiança coletiva nas instituições que guardam nosso passado.