Ursula Andress faz 90 anos: a primeira Bond Girl e a imagem eterna do biquíni branco

Ursula Andress completa 90 anos: a primeira Bond Girl e o icônico biquíni branco que marcou o cinema dos anos 60.

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Ursula Andress faz 90 anos: a primeira Bond Girl e a imagem eterna do biquíni branco

Por Chiara Lombardi — Hoje, 19 de março de 2026, a atriz suíça Ursula Andress completa 90 anos. A cena que a tornou ícone global — a saída do mar em um biquíni branco nas praias do Caribe, diante de um maravilhado Sean Connery como James Bond — transformou não apenas sua carreira, mas também a semiótica do cinema dos anos 1960. A figura de Honey Ryder em Agente 007 - Licença para Matar (1962) é, até hoje, um espelho do nosso tempo: beleza arquitetada, poder simbólico e a narrativa do feminino como imagem e mito.

Nascida em 19 de março de 1936, em Ostermundigen, no Cantão de Berna, Ursula é a terceira de seis filhos, filha do alemão Rolf Andress e da suíça Anna Kropf. A infância foi marcada por rupturas: o pai, diplomata, foi expulso da Suíça durante a guerra e desapareceu do cotidiano familiar. Criada pela mãe e pelo avô jardineiro, Ursula conheceu desde cedo a disciplina do trabalho nas estufas — um começo austero que contrasta com o glamour que viria a representar.

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Aos 16 anos, deixou a escola para se mudar a Paris, onde estudou pintura, escultura e dança; depois seguiu o ator francês Daniel Gélin até Roma, cidade onde acabou por ser procurada pela Interpol. Na capital italiana, sustentou-se como babá e modelo e foi notada no efervescente ambiente da Cinecittà e da chamada dolce vita. Seu primeiro registro cinematográfico ocorreu sem crédito em Un americano a Roma (1954), com Alberto Sordi. Em 1955, teve papéis breves em produções como Le avventure di Giacomo Casanova e La catena dell'odio.

Naquele período, Ursula aproximou-se de outras figuras que definiram a estética do pós-guerra europeu: tornou-se amiga de Brigitte Bardot, com quem dividiu, segundo as crônicas, um quarto na Piazza di Spagna — a aliança entre imagem e estratégia de estilo que ajudaria a acelerar sua carreira. No final de 1955, um produtor americano a levou para Hollywood, onde assinou um contrato de sete anos com a Paramount. A barreira linguística e cultural, porém, atrapalhou sua adaptação; ela recebeu cursos de inglês, dicção e etiqueta, mas acabou desligada do estúdio e trabalhando posteriormente com a Columbia.

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Durante os anos 1950 teve visibilidade em círculos de Hollywood — incluindo uma breve relação com James Dean — e em 1957 casou-se com o ator e cineasta norte-americano John Derek, que passou a gerir aspectos de sua trajetória artística. Após algumas temporadas de pouca atividade, com participações pontuais na televisão (notavelmente em um episódio de Thriller ao lado de Boris Karloff), veio a oportunidade decisiva: em 1962, substituída Julie Christie apenas duas semanas antes do início das filmagens, Ursula foi escalada para viver Honey Ryder em Dr. No.

Aquele momento cinematográfico — a imagem da mulher emergindo das águas em biquíni branco — deixou uma marca indelével. Mais do que um cartão-postal de moda, foi a projeção de um novo arquétipo feminino: ao mesmo tempo objeto e protagonista, imagem que acelerou a internacionalização de sua carreira entre Cinecittà e Hollywood. A partir dali, Ursula Andress tornou-se sinônimo de uma era que reinventou o glamour e construiu o estereótipo da Bond Girl como figura cultural potente.

Ao completar 90 anos, sua trajetória convida a um reframe: longe de ser apenas um episódio de costume e beleza, sua narrativa cruza história europeia e americana, política de imagem e memória coletiva. A icônica cena do biquíni branco funciona como um roteiro oculto da sociedade — um símbolo que revela desejos, ansiedades e a construção de mitos no pós-guerra. Celebrar Ursula hoje é também revisitar o modo como o entretenimento modela identidades e reflexos culturais.

Mesmo décadas após sua estreia como ícone pop, a presença de Ursula Andress permanece um ponto de referência para estudiosos do cinema, designers de moda e a cultura pop em geral: uma veneziana moderna que emergiu do tanque de gravação para se fixar como sinal de uma época, um verdadeiro eco cultural que resiste ao tempo.

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