Vasco Rossi pede: abra mais livros e menos redes sociais — será mais rock e menos controle

Vasco Rossi defende mais leitura e menos redes sociais: um chamado para recuperar lucidez, serenidade e atitude rock contra o ruído digital.

Vasco Rossi pede: abra mais livros e menos redes sociais — será mais rock e menos controle

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Vasco Rossi pede: abra mais livros e menos redes sociais — será mais rock e menos controle

Por Chiara Lombardi — Em um feito que parece ao mesmo tempo um manifesto íntimo e um pequeno refrão de resistência, Vasco Rossi voltou a convidar o público a recuperar o hábito da leitura. Em uma publicação nas redes, o cantor contrapôs o silêncio reflexivo dos livros ao barulho contínuo das notificações e dos noticiários, propondo uma reconexão com o pensamento próprio.

“Sim, eu sei, não vibra e não grita ‘última hora’ a cada três minutos, mas, estranho dizer, faz pensar. E, de vez em quando, faz entender. É menos barulhento”, escreveu ele, lembrando que a experiência do livro é, antes de tudo, um espaço de contemplação e desaceleração. Essa recomendação não é retórica: Vasco vem declarando há anos que dedica muito tempo à leitura, exibindo uma coleção que atravessa filosofia, história e textos sobre meditação.

Nos últimos anos, relatou ter passado por uma verdadeira imersão de dois anos em leituras intensas — uma jornada que, segundo ele, redesenhou sua relação consigo mesmo e até reescreveu a letra de uma de suas frases mais emblemáticas. Não é mais “voglio una vita spericolata” no sentido de desejar uma vida temerária; tornou-se, disse ele, “sono una vita spericolata” — um ajuste que soa como a revisão de um roteiro pessoal, onde o sujeito não apenas quer, mas encarna a atitude.

O conselho final do Komandante é direto: reduzir o “frastuono dos telejornais e das redes”, que ele chama de um “jukebox impazzito”, e abrir espaço para os livros, onde se resgata lucidez e serenidade. Há aqui um eco cultural claro: não se trata de demonizar as tecnologias, mas de reivindicar um tempo de qualidade — um refrão que dialoga com a semiótica do viral e com o desejo de não sermos meros espectadores programados.

São detalhes biográficos que reforçam a coerência desse discurso. Vasco concluiu o curso técnico-commercial Tanari em Bolonha com o diploma de ragioniere e, em 1972, matriculou-se em Economia e Comércio na Alma Mater, cursando também disciplinas do DAMS, sem concluir a graduação. Posteriormente, em 12 de maio de 2005, recebeu a laurea honoris causa em Ciências da Comunicação pela IULM de Milão, reconhecimento de sua capacidade singular de comunicar com as novas gerações.

O momento dessa intervenção pública também dialoga com o calendário editorial: entre 13 e 16 de abril, Bolonha sedia a 63ª edição da Children’s Book Fair, o encontro editorial infantil mais importante do planeta. Serão cerca de 1.500 expositores de 90 países, com novos participantes como Barbados, Camarões, Nepal, Ruanda, Trinidad e Tobago, Uruguai, Uzbequistão e Zâmbia. A Noruega assume o papel de país convidado, e o programa inclui 60 anos da Mostra Ilustratori, o nascimento do The Designer Studio, o WritersLab, um olhar sobre representação de gênero em parceria com a ONU Mulheres e as celebrações pelos 200 anos de Collodi.

Nas redes, Vasco também revisitó o significado geracional de um clássico pessoal: “Siamo Solo Noi” surge como uma resposta — uma tradução crítica do que os pais dizem aos filhos sobre responsabilidade e valores. Convertendo o “você é só você” no coral “somos só nós”, ele enuncia uma afirmação de identidade coletiva jovem: não se trata de desperdício, mas de uma busca ardente por modos diferentes de viver.

Como analista cultural, vejo esse apelo como um pequeno refrão contra a automação das percepções: abrir um livro é, metaforicamente, mudar de canal num jukebox enlouquecido, é escolher uma trilha sonora interior em vez do efeito sonoro do feed. É, enfim, um gesto de resistência estética — menos ruído, mais pensamento, mais rock.