Voci dei Boschi Film Festival: sexta edição encerra com sucesso e encontro entre cinema experimental e natureza — entrevista com Giulia Savorani
Sexta edição do Voci dei Boschi Film Festival celebra cinema experimental e natureza; entrevista com Giulia Savorani sobre workshops em 16mm e processo Wild Eco.
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Voci dei Boschi Film Festival: sexta edição encerra com sucesso e encontro entre cinema experimental e natureza — entrevista com Giulia Savorani
Voci dei Boschi Film Festival concluiu sua sexta edição celebrando a interseção entre arte video, cinema experimental e uma relação íntima com a paisagem. A diretora artística Giulia Savorani guiou a programação com um tom que parecia vir “de dentro” — uma apresentação delicada e imersiva que refletiu tanto sua trajetória artística quanto a proposta do festival.
O percurso de Giulia: entre a pintura e o cinema
Giulia Savorani (1988) é artista visual e filmmaker. Diplomou-se em Pintura na Accademia di Belle Arti di Brera e aprofundou seus estudos de direção na Civica Scuola di Cinema Luchino Visconti, em Milão. Em 2019, concluiu o master Moving Images Art na Università Iuav di Venezia.
Sua pesquisa transita no limiar entre as artes visuais e o cinema. Seus filmes e instalações foram exibidos internacionalmente — em países como Austrália, África do Sul, Suíça, Grécia, Rússia, Lituânia, China, Bielorrússia, Bélgica e Turquia — além de diversas cidades italianas. Entre os reconhecimentos, Giulia recebeu o Video Art Award 2022 (Centro Luigi Di Sarro, Roma) e o prêmio de melhor filme de artista no Next Generation Film Festival 2022. De 2019 a 2021 colaborou como operadora áudio-vídeo para o Zapruder Filmmakersgroup; trabalha como docente desde 2017 e recentemente realizou animações e desenhos para a Fondazione Cini (Veneza) e o Filmmaker Festival (Milão). Atualmente leciona nas Accademia di Belle Arti de Milão e de Bérgamo.
Do workshop à direção artística: continuidade e inquietação
A participação de Giulia no festival começou na IV edição, quando a organização convidou a Unzalab para conduzir um workshop sobre filme em película. Giulia esteve à frente do workshop de animação pintada em 16mm, e na V edição assumiu papel de jurada, além de conceber a imagem visual do festival e oferecer nova oficina.
Foi a partir daí que nasceu o experimento que a acompanha: o workshop Wild Eco Reversal Process. A proposta explora possibilidades do filme analógico utilizando plantas e materiais de fácil acesso — uma prática que Giulia descreve como “almost eco”, pois algumas substâncias ainda não são totalmente naturais, embora substituam químicos agressivos e de difícil obtenção.
Festival como encontro, mais que programa
Quando perguntada sobre o sentido do festival, Giulia lembra que Voci dei Boschi nasceu em 2020, no primeiro verão pós‑covid. A associação promotora, Forestieri, reúne pessoas chegadas de fora que escolheram Costa Vescovado (AL) como cenário — um enquadre que propicia diálogos entre arte, natureza e comunidade.
“Existe uma magia e uma verdade que só se encontram nos encontros com algo maior do que nós”, diz Giulia, numa formulação que mais parece o roteiro oculto do festival: não se trata apenas de exibir filmes, mas de construir um eco cultural, um lugar onde práticas analógicas, oficinas e projeções funcionam como espelhos do nosso tempo.
Perspectivas e memória
A conclusão feliz da sexta edição confirma que o festival vem consolidando uma narrativa própria — entre o sussurro das árvores e o ruído das imagens em movimento. Para Giulia, o trabalho contínuo com a película e com processos híbridos é também uma maneira de «reframe» da memória técnica: trazer a materialidade do filme para tocar questões contemporâneas, ambientais e coletivas.
Como observadora do zeitgeist, eu diria que Voci dei Boschi age como um pequeno set ao ar livre onde se ensaia um futuro possível: o cinema encontra a botânica, a cidade cede espaço ao bosque, e o público participa de um gesto artístico que é também um gesto de comunhão.
Ao encerrar esta edição, o festival reafirma sua vocação experimental e comunitária, mantendo-se um laboratório vivo onde a pesquisa em artes visuais e a prática cinematográfica se refletem mutuamente — como num espelho que devolve não apenas imagens, mas sentidos.
Entrevista por Giacomo Maria Prati. Reportagem e análise por Chiara Lombardi, Espresso Italia.