Women and City em Bari: como a paridade redesenha a cidade e seu roteiro social
Women and City em Bari: festival que coloca a paridade como roteiro para cidades mais inclusivas, debatendo políticas, violência e urbanismo de gênero.
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Women and City em Bari: como a paridade redesenha a cidade e seu roteiro social
Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — Curiosidade Sofisticada
A paridade de gênero como ponto de partida e força transformadora: essa é a peça central de Women and City, o festival que propõe repensar a cidade — seus ritmos, seus espaços e seus cenários sociais — através de práticas, políticas e ideias compartilhadas. Não se trata apenas de um encontro; é um roteiro para reconstruir comunidades mais justas, sustentáveis e inclusivas, onde quem habita, governa e molda o território se senta à mesma mesa.
Depois de três edições realizadas em Turim, a edição que ocorreu em Bari de 28 a 30 de maio é a primeira etapa fora do Piemonte. Idealizado pela Fondazione Torino Città per le Donne+ (TOxD+), o festival busca difundir democracia participativa e colocar o gênero como motor de desenvolvimento social e econômico — entendendo a igualdade não como destino, mas como partida.
O coração da programação foi o encontro apelidado de “Davos italiano delle politiche di genere”, que reuniu sindacas e sindaci das principais cidades italianas ao lado dos dirigentes da Anci (Associação Nacional de Municípios) para imaginar políticas públicas mensuráveis e replicáveis. Esse diálogo institucional, pensado como uma sala de roteiro coletivo, busca transformar boas práticas locais em políticas escaláveis.
Mas o festival não se limitou às mesas institucionais. O programa atravessou os grandes nós do presente: os 80 anos do voto feminino e a herança das Madri Costituenti — com forte participação de estudantes —, a violência econômica e a violência digital, a urbanística de gênero, a medicina de gênero, o rosto feminino dos conflitos e a liderança emergente das novas gerações. Uma paleta temática que funcionou como um espelho do nosso tempo, refletindo tensões e possibilidades.
Ao longo de três dias houve encontros, diálogos, laboratórios, talks, mostras, espetáculos, iniciativas para escolas e espaços de networking. A diversidade de linguagens — da cultura à economia, da educação à política — reforçou a natureza híbrida do festival, onde cada linguagem configura uma cena do mesmo filme social.
Mais de 100 convidadas e convidados, vindos da Itália e do exterior, participaram dos debates sobre direitos, ativismo, pesquisa científica, economia, justiça, prevenção da violência e modelos de cidades inclusivas e sustentáveis. Entre as vozes destacadas estiveram Alice Pignagnoli, goleira com mais de 250 jogos entre Série A e B, blogueira e formadora, e Barbara Strappato, primeira dirigente da Polícia de Estado e especialista em segurança cibernética.
Women and City, portanto, se apresenta como um cenário de transformação: um espaço onde a prática política encontra a imaginação urbana e onde políticas de igualdade são pensadas como roteiro coletivo para o futuro. Em sua sutileza analítica, o festival nos lembra que repensar a cidade é também reescrever o roteiro oculto da sociedade, colocando a igualdade no centro da cena.
Para além da celebração, o evento deixa em aberto a pergunta essencial: que cidades queremos filmar nas próximas décadas — e quem terá o papel principal nesse elenco?