Zazzaroni rebate acusações sobre Mihajlovic: “A ferida ficou”
Zazzaroni retorna ao caso Mihajlovic: nega exploração da doença, fala da repercussão nas redes e da dor pela perda da mãe.
RESUMO ✦
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Zazzaroni rebate acusações sobre Mihajlovic: “A ferida ficou”
Em uma entrevista franca no programa Ciao Maschio, com Nunzia De Girolamo, o diretor do Corriere dello Sport, Ivan Zazzaroni, revisita uma das histórias que mais o marcou profissional e pessoalmente: a divulgação da doença do amigo Sinisa Mihajlovic e a onda de críticas que se seguiu.
Zazzaroni conta que, no momento em que Mihajlovic descobriu a leucemia, enviou-lhe apenas uma mensagem simples e sentida — “Força Sinisa, força guerriero” — reflexo de duas décadas de amizade. Ele diz que publicou a notícia no jornal, mas que jamais imaginou a repercussão negativa que viria depois: “Alguém nas redes sociais começou a dizer que eu tinha explorado aquela história para vender exemplares do jornal. Foi um ataque que me feriu profundamente”.
O episódio, segundo Zazzaroni, ganhou combustível até de dentro do próprio ambiente jornalístico. “Um colega do mundo do futebol jogou gasolina no fogo num momento em que o Sinisa estava fragilizado”, relata. Ainda que tenha havido um esclarecimento rápido entre os dois — trocas de mensagens e sinais de afeto que restabeleceram a ligação —, o diretor admite que a polêmica deixou uma cicatriz que foi usada contra ele ao longo dos anos.
Ao narrar essa passagem, Zazzaroni não se esquiva da responsabilidade: “Não sei se foi um erro, mas eu paguei muito por isso”. A afirmação tem o peso de quem reconhece a delicadeza do gesto jornalístico quando ele cruza o terreno íntimo da amizade — uma interseção que sempre deflagra dilemas éticos e performáticos na mídia contemporânea.
Além do caso Mihajlovic, o diretor fala com sinceridade sobre a perda recente que atravessou sua vida pessoal: a morte da mãe. Ele descreve a ausência das chamadas, dos rituais cotidianos, e o carinho incondicional que recebeu dela — “era para mim a mãe que me via sempre como o mais belo, o mais capaz”. Hábito simples e tocante: ela o ligava sempre antes de suas participações em Ballando con le Stelle, enviando emojis com a mesma espontaneidade de uma criança.
O relato de Zazzaroni é, em si, um pequeno roteiro da vulnerabilidade humana: a notícia que deveria informar, a exposição que pode ferir, as redes que amplificam suspeitas e, por fim, a íntima solidão do luto. Como observadora do nosso tempo, é impossível não ver ali um espelho da era digital — onde o jornalismo coexiste com o espetáculo e onde as relações pessoais podem ser reescritas por um tuíte ou por um título de capa.
Ao terminar a entrevista, fica a imagem de um homem que assume suas falhas, carrega suas feridas e mantém, ainda assim, a elegância de quem sabe que o ofício de informar vive num cenário de transformação constante. Chiara Lombardi para Espresso Italia — observando, com curiosidade sofisticada, os contornos da notícia que se confunde com a vida.


