2026: Alta nas contas pode chegar a 15,2 bilhões de euros, alerta CGIA

CGIA alerta: 2026 pode trazer alta de 15,2 bilhões nas contas de energia, pesando sobre empresas e famílias — impacto concentrado na Lombardia e regiões industriais.

2026: Alta nas contas pode chegar a 15,2 bilhões de euros, alerta CGIA

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2026: Alta nas contas pode chegar a 15,2 bilhões de euros, alerta CGIA

Por Stella Ferrari — A CGIA sinaliza uma verdadeira stangata para 2026: se os consumos de famílias e empresas permanecerem ao nível de 2024, o aumento das despesas com energia pode alcançar 15,2 bilhões de euros em comparação a 2025. Deste total, cerca de 10,2 bilhões decorrem da energia elétrica e 5 bilhões do gás.

Os números, apurados pelo Ufficio Studi da associação, chegam em um contexto geopolítico volátil — um mês após a eclosão do conflito no Médio Oriente — e apontam para um impacto desproporcional sobre o tecido produtivo: as empresas suportariam aproximadamente 9,8 bilhões de custos adicionais, enquanto as famílias seriam atingidas com cerca de 5,4 bilhões. Em termos práticos, trata-se de um choque que pode pressionar fortemente tanto os balanços domésticos quanto a liquidez de muitas indústrias.

Como estrategista que observa o motor da economia, ressalto que a intensidade e a duração do conflito — bem como qualquer eventual alargamento do teatro bélico — funcionarão como variáveis que aceleram ou contêm o impacto. Comparativamente, a situação atual é menos extrema do que o que se viu após a invasão da Ucrânia: em 2022, o preço médio do gás havia alcançado 123,5 €/MWh e a energia elétrica atingiu 303 €/MWh. Hoje, apesar das subidas recentes, o gás cotava perto de 58 €/MWh e a eletricidade rondava os 148 €/MWh.

Geografia e estrutura econômica explicam a distribuição dos efeitos. As regiões mais populosas e com maior concentração de atividades industriais concentram a maior fatia do impacto. A Lombardia lidera com um acréscimo estimado em 3,4 bilhões de euros; seguem Veneto e Emilia-Romagna com cerca de 1,7 bilhões cada; Piemonte com 1,3 bilhões; e Toscana e Lazio próximas de 1 bilhão cada.

Segmentando por usuários, as empresas lombardas enfrentariam quase 2,3 bilhões adicionais em contas de energia. As indústrias da Emilia-Romagna e do Veneto registrariam cerca de 1,1 bilhões cada, e as piemontesas aproximadamente 879 milhões. Para as famílias, o maior impacto também recai sobre a Lombardia (1,1 bilhão), seguida por Veneto (557 milhões), Emilia-Romagna (519 milhões) e Lazio (453 milhões).

O Ufficio Studi calculou essas projeções assumindo um preço médio anual de 150 €/MWh para a eletricidade e 50 €/MWh para o gás, mantendo a proporção de 3 para 1 observada entre as duas fontes. Em termos de política pública, a CGIA adverte que os 3 bilhões de euros previstos como apoio podem não ser suficientes para evitar que um choque energético se transforme em crise social e econômica de larga escala.

Do ponto de vista de governança econômica, a mensagem é clara: é preciso calibrar políticas com precisão de engenharia — tanto quanto se ajusta a injeção de combustível num motor de alta performance — para proteger capacidade produtiva e renda das famílias. A calibragem rápida de medidas fiscais e intervenções setoriais será essencial para manter a economia em marcha, evitando que os freios fiscais sejam acionados de forma desordenada.