Boeing 737 MAX 7 recebe certificação da FAA e mira entregas em 2027

Boeing 737 MAX 7 recebe certificação FAA após mais de oito anos; entregas previstas para 2027 e produção ganha quarta linha em Everett.

Boeing 737 MAX 7 recebe certificação da FAA e mira entregas em 2027

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Boeing 737 MAX 7 recebe certificação da FAA e mira entregas em 2027

Mais de oito anos após seu primeiro voo, o Boeing 737 MAX 7 obteve hoje a certificação da Federal Aviation Administration (FAA) e está autorizado a entrar em serviço em 2027. A decisão encerra um processo longo e técnico que adiou as entregas originalmente previstas para 2019, sendo um marco de retorno à trajetória comercial para a família 737 MAX.

A FAA afirmou que o aval “reflete anos de trabalho sustentado para resolver problemas técnicos complexos e para conduzir um exame aprofundado do projeto da aeronave e das respectivas análises de segurança”. Durante o processo de certificação, o MAX 7 acumulou 686 horas de testes em 441 voos e 349 horas de ensaios em solo. Entre os últimos pontos validados está o sistema anti-gelo dos motores, um dos desafios técnicos mais complexos enfrentados pelos engenheiros.

Do ponto de vista industrial, a notícia chega em um momento de aceleração para a Boeing: a família 737 MAX, lançada em 2011 para enfrentar o A320neo da Airbus, alcançou novo recorde comercial. Em junho, com 7.206 pedidos líquidos desde 2011, o 737 MAX tornou-se o modelo mais encomendado da história da família 737, superando o 737 NG, com 7.159 pedidos líquidos. Ao final de junho, havia 4.363 aparelhos ainda em carteira de pedidos.

A produção histórica do 737 MAX concentra-se em Renton, perto de Seattle, em três linhas de montagem; recentemente, uma quarta linha, a chamada North Line, foi ativada em 6 de julho na fábrica de Everett, que também produz os 777 e 767F. A expansão visa elevar o ritmo produtivo, hoje em cerca de 47 aviões por mês. Cada linha opera com dez estações onde as fuselagens, provenientes de Wichita (Kansas), são equipadas com asas, assentos, cabeamento e motores.

Segundo a Boeing, a família MAX reduz o consumo de combustível em cerca de 20% e as emissões de gases de efeito estufa na mesma proporção, além de operar com ruído reduzido em 50% em comparação ao predecessor. O portfólio prevê quatro versões: o MAX 7 (capacidade máxima de 172 passageiros e autonomia de 7.040 km), que contava com 310 pedidos até o fim de junho; o MAX 8 (até 210 assentos e alcance de 6.480 km), com 6.019 pedidos e 2.659 pendentes de entrega; e o MAX 9 (até 220 assentos e autonomia de 6.110 km), com 606 pedidos e 177 a entregar.

É imprescindível lembrar que o MAX 8 esteve envolvido nos dois acidentes de 2018 e 2019 que somaram 346 vítimas, episódios que levaram à suspensão mundial dos voos do modelo por cerca de vinte meses, cuja causa foi atribuída a uma falha do software anticalço MCAS. Mais recentemente, em 5 de janeiro de 2024, um painel de vedação de porta se soltou em voo de uma aeronave entregue à Alaska Airlines, ferindo levemente passageiros e desencadeando investigações regulatórias e do Congresso, além de restrições produtivas para a Boeing.

Como estrategista que observa o motor da economia e a calibragem produtiva das cadeias de suprimento, vejo nessa certificação um movimento de recuperação técnica e comercial, mas também um convite à vigilância regulatória e à rigorosa gestão de qualidade. A reentrada deste modelo no mercado será acompanhada com atenção por companhias aéreas, investidores e autoridades — e exigirá precisão de engenharia e disciplina operacional comparáveis às melhores oficinas de alta performance.