Caro petróleo pressiona companhias aéreas: primeiras tarifas já sobem e redesenho de rotas é antecipado
Caro petróleo pressiona companhias aéreas: Qantas, Air New Zealand e outras já anunciam aumentos e ajustes de rotas em meio à alta do combustível.
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Caro petróleo pressiona companhias aéreas: primeiras tarifas já sobem e redesenho de rotas é antecipado
Por Stella Ferrari — O recente caro petróleo já começa a impactar de forma tangível a indústria aérea global, levando as operadoras a ativarem os freios e recalibrarem sua estratégia de preços. As primeiras a anunciar aumentos das tarifas foram a australiana Qantas e a neozelandesa Air New Zealand, em reação direta à elevação do preço do combustível, que passou a representar cerca de 25% dos custos operacionais das companhias.
Nas últimas semanas o barril de petróleo registrou níveis entre 150 e 200 dólares, um choque que não poderia deixar de reverberar sobre o custo dos bilhetes. Em algumas rotas, a combinação entre preços mais altos do combustível, fechamento de espaços aéreos e restrições de capacidade fez os valores dispararem. Em termos de ocupação, a Qantas relata voos para o Velho Continente operando com 90% de ocupação neste período — ante 75% normalmente observado — o que tem levado a empresa a estudar um redesenho de rotas como forma de otimizar a malha.
Paralelamente, a Cathay Pacific já anunciou voos extras para Londres e Zurique em março, enquanto a Air New Zealand elevou tarifas em algumas rotas. A Hong Kong Airlines divulgou que aplicará um suplemento de combustível de até 35,2% a partir da próxima quinta-feira, com os aumentos mais expressivos entre Hong Kong e destinos como Maldivas, Bangladesh e Nepal. Outras companhias, como a Vietnam Airlines, recorrem a autoridades locais solicitando a eliminação de tributos ambientais sobre o combustível de aviação.
Nem todas seguiram esse caminho: a IAG, controladora da British Airways, informou à Reuters que não planeja repassar aumentos para as tarifas no momento, por ter protegido parte significativa de sua demanda de combustível em contratos de hedge para prazos curto e médio. Já a escandinava SAS advertiu que poderá elevar preços, caso a pressão persista.
Do ponto de vista da conectividade, dados da consultoria Cirium mostram que Emirates, Qatar Airways e Etihad transportam cerca de um terço do fluxo de passageiros entre Europa e Ásia e mais da metade dos passageiros entre Europa e Oceania (Austrália, Nova Zelândia e ilhas do Pacífico). A Lufthansa tem cerca de 32% de sua malha de longo curso voltada para Ásia e Oriente Médio, enquanto a exposição da IAG é menor, em torno de 17%, dado seu foco nos voos para as Américas.
Os efeitos não se limitam ao transporte de passageiros. Segundo a IATA, Qatar Airways e Emirates figuram entre os maiores transportadores de carga do mundo — segunda e quarta posições, respectivamente — situando-se entre FedEx e UPS. Em janeiro, os volumes entre Europa e Ásia subiram 15% em relação ao ano anterior. Caso hubs como Doha e Dubai fiquem parcial ou totalmente indisponíveis, a cadeia logística será forçada a buscar alternativas de hubs e operadores.
Como estrategista, vejo esse episódio como um teste de resistência para o setor: as companhias absorveram lições de choques passados — a pandemia foi um laboratório de adaptação — e agora colocam à prova sua capacidade de calibragem de rotas e hedges de combustível. Em suma, estamos num momento de aceleração de custos em que as decisões executivas sobre preços e redes serão o motor da competitividade para os próximos trimestres.


