Corte das accise sobre combustíveis: 40% dos postos não repassaram a redução, revela Ministério
MIMIT: apenas 60% dos postos repassaram o corte das accise; 11,4% aumentaram preços. Guardia di Finanza já recebeu lista para fiscalização.
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Corte das accise sobre combustíveis: 40% dos postos não repassaram a redução, revela Ministério
Por Stella Ferrari — O corte das accise decidido pelo Conselho de Ministros para aliviar o custo dos combustíveis enfrenta fricções no momento da implementação. A fotografia capturada pelo Observatório do Ministero delle Imprese e del Made in Italy (MIMIT) mostra que, a pouco mais de 24 horas da medida, apenas 60% dos distribuidores — entre os 12.107 pontos de abastecimento monitorados — repassaram efetivamente a redução aos consumidores.
Segundo a relevação realizada às 8h de sexta-feira, os dados indicam que nem tudo está funcionando como a engenharia da política pretendia: enquanto as principais companhias petrolíferas alteraram seus preços recomendados com uma redução de 24,4 centésimos de euro por litro, conforme o provvedimento adotado, um número expressivo de postos não seguiu essa referência.
Mais preocupante ainda: 11,4% dos pontos de venda avaliaram o cenário como oportunidade e chegaram a aumentar os preços expostos em vez de reduzi-los. Diante desse quadro, o MIMIT informa que o Garante per la sorveglianza dei prezzi já remeteu à Guardia di Finanza a lista dos estabelecimentos que não adequaram os preços, para que sejam realizados os controles previstos pelo novo regime introduzido no decreto‑lei do Governo.
Os resultados das vistorias serão compartilhados com a Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato (AGCM), que poderá iniciar procedimentos sancionatórios, e, caso surjam indícios de ilícitos penais, serão remetidos à autoridade judiciária.
No levantamento de preço médio em modo self‑service nas redes rodoviárias nacionais, os valores apurados na manhã de sexta foram: 1,734 €/l para a gasolina e 1,978 €/l para o gasóleo. Já na rede autostradale, os preços médios self‑service registraram 1,812 €/l para a gasolina e 2,048 €/l para o gasóleo.
Massimiliano Dona, presidente da Unione Nazionale Consumatori, interpreta esses números como a comprovação do que vinha sendo denunciado: “Os dados não apenas confirmam o não‑repasse dos cortes, como revelam o fracasso do decreto no seu plano sancionatório”. Dona critica a atual estrutura legal e questiona a eficácia das medidas punitivas se os artigos 501 e 501‑bis do Código Penal permanecem inalterados — normas que, segundo o comandante‑geral da Guardia di Finanza Giuseppe Zafarana, em 2022, são de “rara e difícil aplicação”.
A Unione Nazionale Consumatori exige ainda mudança na lei para permitir à Autorità garante agir também em casos sem um acordo restritivo explícito ou abuso de posição dominante, sob pena de promessas de “luta contra a especulação” se transformarem em retórica vazia, deixando o consumidor na pista com o motor da política fiscal ruindo sem a calibragem adequada.
Em suma, a redução das accise funcionou como um ajuste técnico no painel do Governo, mas a transmissão dessa calibragem até o bico da bomba revela falhas de coordenação e lacunas legais. O episódio exige não apenas controles imediatos, mas uma revisão estrutural do sistema sancionatório para garantir que as políticas econômicas acelerem benefícios reais, sem freios mal calibrados.


