Dombrovskis: Europa precisa elevar de forma estrutural a taxa de crescimento
Dombrovskis defende aumento estrutural da taxa de crescimento da Europa e medidas energéticas temporárias e direcionadas.
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Dombrovskis: Europa precisa elevar de forma estrutural a taxa de crescimento
Por Stella Ferrari, Espresso Italia
O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, reafirmou em audiência conjunta nas comissões de Economia e Assuntos Sociais do Parlamento Europeu sobre o Semestre Europeu que o motor econômico do bloco precisa de uma calibragem distinta: a taxa de crescimento da Europa deve aumentar de modo estrutural. Em linguagem clara e sem meias-palavras, Dombrovskis sublinhou que a resiliência demonstrada face a crises sucessivas não basta para garantir prosperidade de longo prazo, competitividade global e autonomia estratégica.
Na sua intervenção, o comissário deixou orientações precisas sobre a política energética: as medidas adotadas para mitigar o caro da energia — subsídios, cortes fiscais e outros apoios — têm de ser temporárias e direcionadas. "As medidas de apoio a famílias e empresas devem ser temporárias e direcionadas, e não devem aumentar a procura agregada por combustíveis fósseis", afirmou Dombrovskis, lembrando que muitas das medidas em vigor hoje não cumprem esses critérios.
O comissário alertou para o risco de políticas que funcionem como um acelerador equivocado: ao incentivar consumo de combustíveis fósseis, políticas mal desenhadas podem comprometer tanto a transição verde quanto a sustentabilidade fiscal. Em termos de desenho de políticas, a mensagem foi técnica e direta — evitar incentivos que funcionem como um sobreaquecimento indesejado do sistema, e em vez disso priorizar instrumentos com efeito multiplicador sobre produtividade e competitividade.
Dombrovskis também foi taxativo sobre a não prorrogação de medidas de curto prazo: várias intervenções públicas foram concebidas para expirar em breve e "não deveriam ser prorrogadas". Entre intervenções anteriormente criticadas pelo comissário está o corte de impostos sobre os combustíveis implementado pelo governo italiano, apontado como exemplo de medida que pode contrariar os objetivos climáticos e de eficiência econômica.
Como estrategista de alto rendimento, entendo a posição do comissário como uma chamada à ação coordenada: é necessário um mix de políticas que funcione como a engenharia de um motor moderno — peças bem integradas que elevem a performance sem sacrificar durabilidade. A prioridade deve ser investir em capital humano, inovação e infraestrutura que sustentem um aumento sustentável da competitividade europeia.
Em suma, a proposta central é clara: não basta recuperar o terreno perdido; é preciso reprogramar a economia europeia para uma aceleração estruturada, preservando a saúde fiscal e a transição energética. Essa é a calibragem necessária para garantir que o bloco mantenha influência global sem perder eficiência interna.
Stella Ferrari é economista sênior e colunista de economia e desenvolvimento na Espresso Italia.