Economia subaquática italiana fatura €3,5 bilhões e acelera inovação estratégica
Relatório mostra que a economia subaquática italiana fatura €3,5 bi, cresce 216% e concentra patentes e talentos estratégicos em Lombardia e Lazio.
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Economia subaquática italiana fatura €3,5 bilhões e acelera inovação estratégica
Assinado por Stella Ferrari — O novo relatório do Observatório Nacional sobre a economia subaquática italiana revela um avanço que merece atenção dos conselhos e das mesas de investimento: os produtos e sistemas ligados ao ambiente subaquático alcançaram uma faturação de 3,5 bilhões de euros, crescimento de 216% em menos de dez anos. É um número que sinaliza não apenas escala, mas também a crescente complexidade e sofisticação tecnológica do setor.
O estudo, elaborado pela Informare (empresa da Câmara de Comércio de Frosinone e Latina) com o contributo científico do Centro Studi G. Tagliacarne, mapeou 189 empresas que operam em atividades underwater. Essas empresas empregam 63.458 pessoas — cerca de 0,34% do emprego nacional — e compõem um universo empresarial que registra 30,5 bilhões de euros de faturamento total e 7,3 bilhões de euros de valor agregado, equivalendo a 0,72% e 0,68% dos agregados nacionais, respetivamente.
Entre os eixos de desenvolvimento identificados pelo relatório estão: defesa e segurança (incluindo vigilância subaquática, contramedidas e proteção de cabos submarinos e condutas estratégicas), energia offshore (instalação e manutenção de plataformas de petróleo e parques eólicos), telecomunicações e infraestruturas críticas (implantação e manutenção de cabos submarinos), pesquisa científica e ambiental (mapeamento de fundos, monitoramento climático, biodiversidade) e potenciais explorações de deep sea mining para matérias-primas estratégicas.
Do ponto de vista tecnológico, o parque empresarial mostra robustez: as empresas detêm 12.659 patentes, das quais 2.840 vinculadas a tecnologias estratégicas STEP — entre Deep Tech e Net-Zero Technologies. A concentração geográfica do capital intelectual é significativa: Lombardia e Lazio reúnem mais de 91% desse patrimônio estratégico em patentes.
O capital humano também chama a atenção: entre os trabalhadores desses empreendimentos, 25.403 são graduados, representando 40% do total de ocupados — quase o dobro da média do setor manufatureiro nacional. Esse perfil evidencia uma base técnica e especializada capaz de transformar inovação em capacidade industrial e exportável.
Andrea Prete, presidente da Unioncamere, sintetiza a relevância estratégica: “Falamos de cabos para telecomunicações, energia, dados que fazem do nosso País um nó crucial entre Europa, África e Médio Oriente”. Giovanni Acampora, presidente da Câmara de Comércio de Frosinone e Latina, acrescenta que o estudo “é a primeira pedra de um percurso ainda por descobrir”, sublinhando o caráter emergente e a necessidade de políticas industriais calibradas para consolidar essa vantagem.
Como analista e estrategista, observo que o crescimento da economia subaquática funciona como um motor que pode impulsionar cadeias industriais adjacentes — desde fornecedores de componentes de alta precisão até serviços de logística marítima e cibersegurança para redes submarinas. É essencial, portanto, que a política industrial atue como uma central de controle: habilitar financiamento de risco, reduzir atritos regulatórios e proteger ativos críticos, mantendo a velocidade de inovação sem perder o controle de riscos estratégicos — em outras palavras, afinar os freios fiscais e a calibragem das políticas de apoio.
O dado é claro: há um ecossistema real, com massa crítica de empresas, patentes e talentos. Agora é tempo de converter essa aceleração em trajetória sustentável e de longo prazo, transformando vantagem tecnológica em vantagem geopolítica e econômica.