Exportação italiana mira superar €690 bilhões em 2028, aponta relatório SACE
SACE prevê exportação italiana acima de €690 bi em 2028; meta de €700 bi pede diversificação, SACE50 e foco em Ásia-Pacífico e África.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Exportação italiana mira superar €690 bilhões em 2028, aponta relatório SACE
Por Stella Ferrari — O export italiano de bens mostra sinais de robustez e trajetória ascendente. Segundo o Rapporto Export 2026 di SACE, intitulado "RE-Agire: l'Italia alla sfida dell'export globale" (19ª edição), as exportações devem crescer 2% até o final de 2026, acelerar para 2,5% em 2027 — alcançando cerca de 675 bilhões de euros — e registrar um avanço de 2,8% em 2028, quando deverão superar os 690 bilhões de euros, aproximando-se do ambicionado patamar de 700 miliardi.
O relatório liga esse desempenho projetado a um cenário internacional que gradualmente retorna a condições menos adversas no Médio Oriente e ao esforço coordenado de políticas e apoio institucional. Em termos estratégicos, a SACE defende que a meta dos 700 bilhões de export será atingida por meio de três vetores complementares: diversificação de mercados, iniciativas de desenvolvimento empresarial no exterior e um suporte sistêmico alavancado pelo Piano Strategico SACE50 2026-2028.
Guglielmo Picchi, presidente de SACE, observa que o estudo oferece uma perspectiva positiva, mas enfatiza que "a crescita sui mercati internazionali richiede oggi un approccio più proattivo e coordinato". Em tom concordante, o administrador delegado Michele Pignotti ressalta que o export italiano é sólido, porém confrontado por uma competição global mais complexa: "Diversificação geográfica, segurança e ampliação das fontes de approvvigionamento e integrazione nelle filiere globali del valore sono le sfide" que exigem ação conjunta entre setor público e privado.
O relatório detalha a dinâmica regional. O Asia-Pacifico confirma-se entre os polos mais dinâmicos para as vendas italianas, com um volume de 60,3 bilhões de euros em 2025 e expectativas de crescimento de 3,5% em 2026 e uma média de 3,4% ao ano em 2027-28. Este impulso é atribuído a investimentos em inovação, transição verde, infraestruturas sustentáveis e novas cadeias de fornecimento.
O Médio Oriente deve sofrer uma retração em 2026, associada a choques na área do Golfo, mas a recuperação prevista para 2027-28 é robusta, com um incremento médio estimado em 5,3% no bienio seguinte. Já a América Latina apresenta sinais de expansão mais moderada: +2% em 2026 e uma média anual de +3,1% em 2027-28, impulsionada por projetos energéticos e reorganização das cadeias de valor.
A África desponta como um terreno fértil, sobretudo à luz do Piano Mattei da Presidência do Conselho, que abre janelas de oportunidade para maquinaria, tecnologias e bens intermédios. O relatório indica que, com políticas de apoio e parcerias público-privadas, o continente africano pode converter-se num canal estratégico para a internacionalização das empresas italianas.
Do ponto de vista de política económica, a lição é clara: para manter a aceleração das exportações é necessário desenhar um design de políticas que combine incentivos financeiros, redução de barreiras e suporte à inovação — uma calibragem que funcione como a correta calibragem de um motor, equilibrando aceleração e controlo. Em linguagem de gestão: mais que reagir, é preciso agir proativamente, alinhando instrumentos de crédito à exportação, seguros e diplomacia comercial.
Em suma, o panorama traçado pelo Rapporto Export 2026 confirma que a economia externa da Itália tem potencial para recuperar velocidade nos próximos anos. O caminho para os 700 miliardi exige, todavia, que governo, sistema financeiro e empresas atuem em sinergia, afinando estratégias de mercado e capacidade produtiva para transformar prognósticos em resultados tangíveis.