Ferrari acelera no Q2 2026: receitas a €1,938 mi (+8%), lucro líquido €463 mi (+9%) e EBITDA €755 mi (+7%)

Ferrari registra Q2 2026 com receitas de €1,938 mi (+8%), lucro líquido €463 mi (+9%), EBITDA €755 mi (+7%) e free cash flow €276 mi (+39%).

Ferrari acelera no Q2 2026: receitas a €1,938 mi (+8%), lucro líquido €463 mi (+9%) e EBITDA €755 mi (+7%)

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Ferrari acelera no Q2 2026: receitas a €1,938 mi (+8%), lucro líquido €463 mi (+9%) e EBITDA €755 mi (+7%)

Por Stella Ferrari — Como economista e estrategista com uma visão afinada do mercado de luxo, analiso os resultados operacionais da Ferrari no segundo trimestre de 2026 com a precisão de uma calibragem de motor: o desempenho é sólido, mas exige atenção às forças externas.

No Q2 de 2026 a Ferrari reportou receitas líquidas de €1.938 milhões, um crescimento de +8% (ou +11% a câmbio constante). O lucro líquido atingiu €463 milhões, avançando +9%, enquanto o EBITDA ficou em €755 milhões, um incremento de +7% (+12% a câmbio constante). O free cash flow industrial registrou €276 milhões, representando uma aceleração importante de +39% em relação ao ano anterior.

Os volumes e o mix de produto seguem sendo o núcleo do impulso: as receitas do segmento Automobili e peças somaram €1.629 milhões, com alta de 8%, sustentadas por um portfólio de sports cars mais valioso e pelo maior peso das personalizações. As receitas de patrocínios, atividades comerciais e do marca totalizaram €209 milhões (+2%), impulsionadas sobretudo pelo aumento das patrocínios, parcialmente compensadas por menores receitas comerciais ligadas ao posicionamento na Formula 1 no ano anterior.

Houve também crescimento em outros itens, principalmente pela venda de motores para equipes parceiras na Formula 1. No entanto, a companhia sofreu um impacto cambial negativo — especialmente pelo dólar e pelo iene — após contabilizar os efeitos líquidos das coberturas cambiais.

Do ponto de vista operacional, o EBIT do trimestre foi de €605 milhões, +10% (ou +16% a câmbio constante), com margem de 31,2%. Esse avanço reflete, em grande parte, um mix de produto favorável — destacando-se a contribuição da F80 — o incremento das personalizações e o desempenho positivo das atividades de racing. Além disso, houve uma redução temporária dos amortamentos em função da transição entre modelos. Esses efeitos positivos foram parcialmente mitigados por maiores custos industriais, aumento das despesas de marketing e estimativas mais altas relacionadas ao posicionamento na Formula 1.

O EBITDA apresentou margem de 39,0% no trimestre. A redução dos encargos financeiros líquidos foi explicada principalmente por variações cambiais favoráveis no período. A alíquota fiscal efetiva ficou em 23,0%, refletindo, entre outros fatores, a estimativa de benefícios vinculados ao novo Patent Box.

Em termos comerciais, o negócio de Sports Cars manteve sua dinâmica, apoiado pelo enriquecimento do mix e pelo crescimento das personalizações. As entregas totalizaram 3.366 unidades no trimestre, em linha com a execução do ciclo de atualização de modelos planejado. Houve crescimento nas entregas dos modelos de 12 cilindros, incluindo variantes Spider, do Purosangue e da família 296 Speciale.

Em síntese, a Ferrari mostrou uma aceleração controlada — o motor da companhia continua a gerar torque financeiro relevante — mas com freios impostos por custos industriais e volatilidade cambial. Para investidores e gestores, a mensagem é clara: mantenha a estratégia de premiumização e personalização, enquanto se monitora a exposição cambial e o perfil de investimentos na pista de competição, que repercute diretamente nas estimativas de resultado.

Assinado, Stella Ferrari — Economista sênior e estrategista de desenvolvimento para mercados de luxo e alta performance.