Filosa garante: Stellantis reforça raízes na Itália e anuncia €5 bilhões em investimentos

Filosa reafirma raízes da Stellantis na Itália e anuncia €5 bilhões em investimentos; Mirafiori abrigará a nova 500 híbrida e Cassino não está à venda.

Filosa garante: Stellantis reforça raízes na Itália e anuncia €5 bilhões em investimentos

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Filosa garante: Stellantis reforça raízes na Itália e anuncia €5 bilhões em investimentos

Por Stella Ferrari — Em uma audiência extensa e clara perante as Comissões de Indústria de Câmara e Senado, o CEO Antonio Filosa reafirmou que Stellantis mantém suas "raízes" na Itália e não pretende alienar fábricas ou marcas italianas, começando por Maserati. A sessão, que durou quase duas horas e meia, serviu para detalhar a estratégia industrial do grupo no país, com ênfase na preservação de ativos e na aceleração de investimentos.

Filosa explicou que o grupo trabalha em possíveis parcerias, sobretudo em torno do polo de Cassino, atualmente o mais afetado pelo uso da cassa integrazione, mas deixou claro: o site de Cassino "não está à venda", assim como a unidade de Atessa. Já o complexo de Pomigliano poderá, nos próximos anos, chegar a produzir até três modelos elétricos (e-car). E o tradicional centro de Mirafiori será "a nossa casa italiana e europeia" para a nova 500 híbrida e suas evoluções.

O quadro macro mostra uma recuperação tênue. Apesar de 2025 ter registrado o nível mais baixo de vendas na Itália em anos — pouco mais de 1,5 milhão de emplacamentos — os primeiros meses de 2026 apontam para uma inversão de tendência, mesmo em um cenário marcado pela complexa transição ao elétrico. Nos primeiros cinco meses de 2026, segundo Filosa, houve crescimento de quase 15% nas vendas, mais 16% na produção e uma redução de 30% no recurso à cassa integrazione. "Não são o atestado de um sucesso final, mas representam uma retomada", afirmou.

O tom adotado pelo executivo foi percebido como uma ruptura em relação ao seu antecessor, Carlos Tavares, cuja audiência em outubro de 2024 havia deixado tensão entre poder público e sindicatos. Ainda assim, parlamentares fizeram questionamentos concretos sobre detalhes operacionais do plano, garantias de continuidade de emprego e cronogramas para a conversão "verde" das fábricas.

No centro da proposta de Filosa está uma visão de especialização produtiva: as pequenas citadinas seriam concentradas nos polos de Mirafiori e Pomigliano; os modelos médio-altos e de luxo, em Melfi, Cassino e Modena; e os veículos comerciais, em Atessa. Para sustentar essa estratégia tecnológica, Stellantis investiu cerca de €1 bilhão em pesquisa e inovação em 2025 e projeta aplicar mais €5 bilhões na Itália nos próximos cinco anos.

Como economista e estrategista, vejo essa declaração como a calibragem de um motor — alinhar torque e eficiência: é preciso combinar investimento em P&D, requalificação da mão de obra e parcerias locais para que a transição industrial não se torne um freio à competitividade. A oferta de claridade na governança e a promessa de manter as marcas e fábricas em solo italiano são sinais de que a direção busca estabilidade, mas a execução será a verdadeira pista de teste.

Filosa prometeu ainda um plano ambicioso para Maserati, a ser apresentado em Modena até o fim do ano. O desafio, agora, é transformar promessas em cronogramas operacionais, mitigar riscos sociais e garantir que a Itália continue a desempenhar papel central no motor da indústria automotiva europeia.