FMI: UE deve crescer 5,9% até 2029; Malta, Chipre e Polônia lideram, Itália em último
FMI projeta UE crescendo 5,9% até 2029; Malta, Chipre e Polônia lideram, Itália fica em último com +2,6% no quadrienio.
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FMI: UE deve crescer 5,9% até 2029; Malta, Chipre e Polônia lideram, Itália em último
Por Stella Ferrari – 22 de abril de 2026. Em uma análise detalhada dos números macroeconômicos europeus, o FMI projetou o ritmo de crescimento dos países da UE entre 2026 e 2029, desenhando um mapa de voz única sobre vencedores e retardatários da próxima janela de quatro anos. A síntese, compilada a partir da tabela do Sole 24 Ore, confirma um cenário em que as ilhas mais pequenas aceleram como potentes turbos, enquanto a maior economia da península italiana permanece engatada em marcha lenta.
Os números médios divulgados pelo FMI mostram uma trajetória relativamente estável para a União Europeia: crescimento de 1,3% em 2026, 1,4% em 2027, 1,6% em 2028 e 1,5% em 2029. No agregado, isso corresponde a um incremento de cerca de 5,9% entre 2026 e 2029 — a calibragem do motor da economia europeia segue, portanto, moderada.
A Eurozona, por sua vez, apresenta desempenho ligeiramente inferior — em média 0,2 ponto percentual a menos por ano em relação à UE completa — resultado que reflete o efeito de entrada recente de países no bloco, cujos ganhos de produtividade e mercado tendem a impulsionar crescimento superior no curto prazo.
No topo do ranking estão as pequenas economias insulares: Malta e Chipre. Malta é projetada a crescer cerca de 4% ao ano, totalizando um robusto +16,4% no quadrienio, enquanto Chipre deve registrar aproximadamente 3% ao ano, somando +12,5%. Esses números ilustram a sensibilidade e a velocidade com que economias de escala reduzida podem responder a choques positivos e ao ganho de acesso pleno aos fluxos do mercado único.
Entre as grandes economias, a Polônia se afirma como o caso mais sólido: Varsóvia lidera o pelotão dos países de maior porte com crescimento de 3,3% já em 2026 e um acumulado estimado de +11,3% até 2029. A Espanha também se destaca entre os mais desenvolvidos, com expansão média próxima a 2% ao ano.
Em contraste, as potências alemã e francesa devem registrar expansão contida, em torno de 1% ao ano — cerca de +4,2% no total do período. São economias grandes, mas com dinâmica de crescimento herdada e limitada por fatores estruturais e pela necessidade de rigor na calibragem de juros e políticas fiscais.
O ponto mais crítico do relatório é a situação da Itália, que figura na lanterna do bloco. As projeções do FMI apontam para um crescimento de apenas 0,5% em 2026 e 2027, um leve ganho para 0,8% em 2028 e 0,7% em 2029 — resultando em um acumulado de aproximadamente +2,6% no período. Em termos práticos, isso significa que a economia italiana deverá crescer aproximadamente pela metade da média da Eurozona, evidenciando que os freios fiscais, a baixa produtividade e desafios estruturais continuam a limitar a capacidade do país de acelerar.
Em suma, o cenário descrito pelo FMI é um exercício de realismo técnico: enquanto algumas economias operam como elementos de alta performance — alinhadas a ganhos de mercado e especialização — outras, como a Itália, exigem reformas e design de políticas orientadas para destravar investimento e produtividade, sob pena de permanecerem à margem da aceleração europeia. Para gestores e investidores, a lição é clara: a alocação de capitais na próxima janela deve ser seletiva, com atenção à dinâmica regional e à qualidade do motor de cada economia.
Fonte: FMI (consolidação de dados), com reprodução da tabela pelo Sole 24 Ore.