Governo aprova decreto e corta 25 centavos no preço dos combustíveis por 20 dias
Governo aprova corte de 25 centavos no litro dos combustíveis por 20 dias e medidas antiespeculação; crédito fiscal de 28% para transportadores e pescadores.
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Governo aprova decreto e corta 25 centavos no preço dos combustíveis por 20 dias
Por Stella Ferrari — O Governo italiano aprovou um decreto emergencial para mitigar a alta dos preços dos combustíveis provocada pela escalada do conflito no Oriente Médio. O Conselho de Ministros autorizou um corte de 25 centavos por litro no preço na bomba, medida que, segundo fontes governamentais, terá duração inicial de 20 dias e será acompanhada por mecanismos de monitoramento e combate à especulação.
Em termos práticos, o texto aprovado absorve e amplia a proposta preliminar que previa a emissão de vales-combustível via a social card 'Dedicata a te'. O decreto também prevê o reforço da plataforma Mr Prezzi — iniciativa apoiada pelo MIMIT — para fiscalizar e punir práticas de antiespeculação nos postos, além de instituir um crédito de imposto de 28% nas compras de gasóleo destinado a autotransportadores e pescadores.
Em pronunciamento ao Tg1, a primeira-ministra Giorgia Meloni explicou que o pacote tem três vetores: “Cortamos 25 centavos por litro; introduzimos um crédito fiscal para os transportadores para evitar que o aumento do preço se reflita nos bens de consumo; e criamos um mecanismo antiespeculação que vincula o preço na bomba ao andamento real do petróleo, com sanções para quem se desviar”.
O vice-premier Matteo Salvini acrescentou que a medida contém um substancial corte de accise, que, nas próximas horas, deverá transformar-se em redução efetiva do preço de diesel e gasolina, tornando os preços na Itália inferiores aos praticados na Alemanha, França e Espanha. Salvini também se reuniu com as principais companhias petrolíferas em Milão e anunciou que esses encontros terão periodicidade semanal.
Já o vice-premier Antonio Tajani ressaltou que a ação é uma resposta concreta ao aumento do custo da energia provocado pela guerra, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã e afeta uma ampla faixa de países do Golfo Pérsico. O bloqueio parcial do Estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global, é um dos fatores que pressionam os preços.
A oposição, contudo, questionou a temporariedade e o timing do decreto. A secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, criticou a duração limitada de 20 dias — coincidindo com um calendário eleitoral — e defendeu medidas mais permanentes, como a devolução do extragettito IVA diretamente aos cidadãos.
Estimativas de associações de consumidores, como o Codacons, indicam que o corte de 25 centavos nas accise, considerando também o IVA, resultaria em uma queda média de aproximadamente 0,305 euro por litro no preço final, o que equivale a uma economia de cerca de 15,2 euros em um tanque de 50 litros.
Numa perspectiva macroeconômica, a medida funciona como uma recalibração temporária do "motor da economia": reduz custos imediatos ao setor de transportes e ao consumo doméstico, enquanto o Governo busca um desenho de políticas que evite que a volatilidade externa se converta em inflação persistente. A eficácia dependerá da velocidade e precisão na aplicação dos controles de preços e das sanções contra práticas especulativas.
O decreto será monitorado de perto nas próximas semanas, tanto pelo impacto no bolso dos consumidores quanto pela reação do mercado petrolífero global. Em meus anos de análise de cenários, vejo essa ação como uma intervenção técnica e cirúrgica de curto prazo — uma calibragem necessária para preservar a confiança dos agentes econômicos até que a dinâmica geopolítica se estabilize.


