Herdeiros de Lee Kun-hee pagam US$ 8 bilhões em imposto de sucessão: metade do patrimônio vai ao Estado sul-coreano

Herdeiros de Lee Kun-hee pagam US$ 8 bi em imposto de sucessão; metade dos US$ 16 bi do patrimônio vai para o Estado da Coreia do Sul.

Herdeiros de Lee Kun-hee pagam US$ 8 bilhões em imposto de sucessão: metade do patrimônio vai ao Estado sul-coreano

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Herdeiros de Lee Kun-hee pagam US$ 8 bilhões em imposto de sucessão: metade do patrimônio vai ao Estado sul-coreano

Stella Ferrari — Desde a abertura do testamento do fundador da Samsung, ficou claro que os herdeiros aceitariam a legislação local sobre imposto de sucessão sem grandes contestações. O espólio de Lee Kun-hee, que faleceu em 2020, atingiu cerca de US$ 16 bilhões em ativos — e, segundo a legislação sul-coreana, metade desse montante será destinada ao Estado.

O cenário fiscal sul-coreano é conhecido pela sua progressividade: faixas que variam de 10% a 50% conforme o valor transferido. Na prática, valores acima de 3 bilhões de won ficam submetidos à alíquota máxima de 50%, o que no caso do legado de Lee Kun-hee resultou em um desembolso de aproximadamente US$ 8 bilhões em impostos de sucessão. Esse montante equivale a uma vez e meia o total de impostos de sucessão arrecadados pelo Estado da Coreia do Sul em 2024.

O espólio, avaliado em cerca de US$ 16 bilhões ao abrir do testamento, estava destinado a familiares diretos: o filho e principal herdeiro, Lee Jae-yong, além da mãe Hong Ra-hee e das irmãs Lee Boo-jin e Lee Seo-hyun. Parte desse patrimônio já tinha sido convertida em doações públicas — notadamente coleções de Pablo Picasso e Salvador Dalí, entregues ao Museu Nacional da Coreia e a outras instituições culturais, uma manobra que alinha filantropia e planejamento patrimonial.

Para investidores e estrategistas, o episódio é uma peça didática sobre a calibragem de políticas fiscais e o impacto sobre grupos de alta renda. Mesmo com o pagamento recorde de impostos, a família segue com um patrimônio estimado em cerca de US$ 45 bilhões, ampliado nos últimos anos pelo boom da inteligência artificial que serviu como combustível para a expansão da Samsung. Em termos de mercado, a corporação manteve sua posição como o principal motor da economia sul-coreana.

Do ponto de vista de governança e imagem pública, a aceitação do imposto por parte dos herdeiros evita longas disputas judiciais e negociações políticas, liberando recursos para o Estado e reforçando um discurso de responsabilidade cívica. Para a família, o pagamento de impostos resulta mais em uma reconfiguração patrimonial do que em perda estrutural: tratou-se de uma liquidação fiscal de parte do patrimônio, não de uma fragilização do grupo econômico.

Em termos práticos, a tabela de alíquotas sul-coreana funciona assim: até 100 milhões de won (≈ US$ 70 mil) a alíquota é 10%; entre 100 e 500 milhões 20%; de 500 milhões a 1 bilhão 30%; de 1 a 3 bilhões 40%; e acima de 3 bilhões, 50%. É nesse último escalão que o legado de Lee Kun-hee entrou, acionando a alíquota máxima e resultando nos já citados US$ 8 bilhões repassados ao fisco.

Como estrategista de economia, vejo este episódio como uma demonstração da interação entre design de políticas e decisões corporativas em alta performance: um ajuste de marcha que exige equilíbrio entre eficiência empresarial e responsabilidade fiscal. A história de Samsung e da família Lee funciona como caso exemplar para países e grupos empresariais que precisam calibrar a tributação sobre fortunas substanciais sem travar a capacidade de investimento e inovação.

Stella Ferrari é economista sênior e colunista da Espresso Italia, com foco em mercados globais, luxo e estratégias de alto desempenho.