Manageritalia alerta: proteger o poder de compra para sustentar demanda interna e competitividade
Manageritalia pede instrumentos estáveis para proteger poder de compra, sustentar demanda interna e reforçar competitividade diante de tensões inflacionárias.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Manageritalia alerta: proteger o poder de compra para sustentar demanda interna e competitividade
As recentes tensões geopolíticas e seus reflexos sobre energia, matérias-primas e custos de produção reabrem uma fase de incerteza econômica que pode prejudicar o crescimento, a demanda interna e a confiança de famílias e empresas. Este é o diagnóstico firme apresentado por Manageritalia, numa advertência que exige respostas estruturais e de longo prazo.
«No atual quadro», afirma Marco Ballarè, presidente de Manageritalia, «volta a ser central a tutela do poder de compra de quem trabalha e daqueles cuja pensão se baseia numa carreira contributiva completa. Se a pressão inflacionária se mantiver, corre-se o risco de erosão progressiva do valor real de salários e pensões, com impactos que ultrapassam o indivíduo e atingem consumo, coesão social e capacidade de crescimento do País.»
Manageritalia destaca três pontos que merecem atenção imediata. Primeiro, os salários: a perda de poder aquisitivo não provém apenas da alta dos preços, mas também de mecanismos fiscais que, sem ajustes coerentes, podem corroer o ganho real dos aumentos salariais ao longo do tempo. Segundo, a previdência: o valor real das pensões corre o risco de enfraquecer se os critérios de atualização não acompanharem de forma equilibrada a trajetória da inflação. Terceiro, o papel do welfare contratual e bilateral, que hoje representa um dos instrumentos mais concretos para mitigar os custos crescentes em saúde, assistência e previdência.
À luz desses desafios, Manageritalia propõe abrir uma reflexão sobre instrumentos automáticos, estáveis e estruturais que possam proteger, de modo contínuo, o poder de compra, evitando a dependência exclusiva de medidas temporárias ou emergenciais. Esta abordagem é similar à calibragem fina de um motor: é preciso um desenho de políticas que harmonize resposta imediata e sustentação de médio prazo, sem acionar freios fiscais que desacelerem a recuperação.
«Defender o valor real do trabalho qualificado e das pensões», continua Ballarè, «não é apenas proteger categorias específicas, mas fortalecer a solidez do sistema econômico como um todo. Onde o poder aquisitivo enfraquece, enfraquecem também os consumos, a confiança e a própria dinâmica de crescimento.»
Manageritalia sublinha ainda a necessidade de um compromisso europeu robusto para fomentar investimentos comuns, reforçar a competitividade do sistema produtivo e acompanhar, com instrumentos adequados, as transições econômicas, energéticas e industriais que os Estados membros enfrentam. Nesta fase, é essencial consolidar um quadro de regras e ferramentas capaz de dar continuidade à tutela dos rendimentos, sustentar a demanda interna e preservar condições para um crescimento mais sólido e duradouro.
Do ponto de vista de política econômica, trato este tema como quem ajusta a suspensão de um veículo de alta performance: intervenções pontuais podem corrigir um desalinhamento, mas a sustentabilidade exige um desenho estrutural que mantenha a estabilidade e permita aceleração controlada quando as condições forem favoráveis.
Assinado, Stella Ferrari — voz de economia e desenvolvimento da Espresso Italia.