Mercados prudentes após otimismo nos colóquios EUA‑Irã; em Milão brilham Stellantis e MPS

Mercados prudentes com otimismo sobre colóquios EUA‑Irã; em Milão **Stellantis** e **MPS** se destacam enquanto petróleo e trimestrais moldam a sessão.

Mercados prudentes após otimismo nos colóquios EUA‑Irã; em Milão brilham Stellantis e MPS

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Mercados prudentes após otimismo nos colóquios EUA‑Irã; em Milão brilham Stellantis e MPS

Por Stella Ferrari — Os mercados globais operaram com cautela nesta sessão, calibrando expectativas à medida que surgiam sinais de progresso nos colóquios EUA‑Irã. Declarações do ex-presidente Donald Trump, que ao New York Post citou a possibilidade de retomada das conversações "dentro de dois dias" e afirmou à Fox que a guerra está "próxima do fim", funcionaram como um estímulo de apetite ao risco, mas sem provocar uma aceleração descontrolada: trato fino entre otimismo e prudência.

No mercado de energia, o Brent recuou inicialmente para US$94 o barril e voltou a negociar perto de US$96, ainda cerca de US$7 abaixo dos US$103 verificados há dois dias. O WTI americano gira em torno de US$92 — movimento que alivia parcialmente a pressão inflacionária, algo similar à liberação gradual dos freios fiscais numa calibragem de políticas macro.

Em praça doméstica, a Borsa de Milão registrou alta de 1,36% na sessão anterior, com o índice Ftse Mib recuperando a região acima de 48.000 pontos pela primeira vez desde 2000 — um marco que evidencia a aceleração de tendências cíclicas na bolsa italiana. Hoje, contudo, negocia em queda de 0,30%, num dia de realinhamento entre setores.

Na Europa as movimentações foram heterogêneas: Londres e Frankfurt praticamente estáveis, enquanto Paris recuou 0,78%. No CAC40 francês, o luxo voltou a ser penalizado: Hermès caiu 8% após resultados trimestrais aquém das expectativas, e Kering — controladora da Gucci — acusou queda de 10%. LVMH, que já havia divulgado balanço dias antes, recuou 0,5%.

O setor de luxo também sofreu em Piazza Affari, com Moncler e Saipem liderando as perdas (-1,8% cada). Em contraponto, o destaque positivo do pregão foi a fabricante global do setor automotivo: Stellantis registrou aumento de 12% nas entregas no primeiro trimestre, com sinais de demanda robusta tanto na América do Norte quanto na Europa; a ação avançou 2,06%, sendo o maior ganho do Ftse Mib. Na mesma sessão, Mps subiu 1,87% — pouco antes das 11h teve início a assembleia que confronta a lista que indica Fabrizio Palermo para CEO e a que busca a recondução de Luigi Lovaglio.

No continente asiático, Seul voltou a brilhar (+2,20%), impulsionada pelo setor tecnológico; Tokyo, Shanghai e Hong Kong operaram com leves ganhos. Em Wall Street, o avanço do segmento de tecnologia sustentou o Nasdaq, que ontem subiu quase 2%.

Começou a temporada de resultados: o gigante holandês de semicondutores ASML apresentou números em linha com o esperado — receitas recuaram de €9,71 bilhões para €8,77 bilhões no 1º trimestre, e o lucro líquido diminuiu de €2,84 bilhões para €2,75 bilhões. Na última sessão chegaram balanços de JPMorgan, Wells Fargo e BlackRock, com leituras majoritariamente positivas, embora recebidas com nuances diferentes pelo mercado. Hoje o foco passa para Bank of America e Morgan Stanley, cujo desempenho será interpretado como termômetro da saúde do setor financeiro americano.

Em suma, os mercados seguem guiados por uma combinação de notícias geopolíticas e resultados corporativos: é uma fase em que o "motor da economia" reclama intervenção fina — produtividade nos resultados corporativos e sinais políticos que diminuam a incerteza. A volatilidade permanece como componente essencial da curva de risco; investidores e gestores executivos devem manter a visão de longo prazo, ajustando a carteira como se calibrassem a suspensão de um veículo de alta performance — precisão antes de acelerar.