Orsini (Confindustria) admite compra de gás russo via Amsterdã e alerta para custos quintuplicados

Orsini (Confindustria) admite compra de gás russo via Amsterdã e alerta que custos energéticos quintuplicaram, exigindo medidas para proteger a indústria.

Orsini (Confindustria) admite compra de gás russo via Amsterdã e alerta para custos quintuplicados

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Orsini (Confindustria) admite compra de gás russo via Amsterdã e alerta para custos quintuplicados

Por Stella Ferrari, Espresso Italia — Em uma declaração direta, Emanuele Orsini, presidente da Confindustria, abriu espaço para uma leitura prática e urgente sobre o tema do gás russo na matriz energética italiana. Orsini destacou que o custo da energia sofreu uma verdadeira quintuplicação: “Antes do conflito Rússia-Ucrânia pagávamos cerca de 28 euros por megawatt-hora; hoje estamos em torno de 160 euros por megawatt-hora”.

Na visão de Orsini, essa escalada compõe um cenário em que a prioridade deve ser proteger a competitividade das empresas italianas. “Temos que fazer tudo o que for possível para salvaguardar a nossa indústria, porque hoje ela está fora da competição global”, afirmou, em tom firme e pragmático — uma calibragem necessária no motor da economia.

O presidente de Confindustria seguiu o raciocínio já exposto por executivos do setor energético, em especial por Claudio Descalzi, CEO da Eni. Orsini disse que, na prática, “me consta que o GNL da Rússia ainda é comprado, mas passa por Amsterdã”. A observação coloca em evidência a complexidade logística e jurídica do comércio energético europeu — e a diferença entre vetos políticos e fluxos comerciais que se reinventam.

Alguns dias antes, Descalzi havia sido taxativo ao sugerir medidas concretas: propor a suspensão do bloqueio previsto para 1º de janeiro de 2027 sobre os 20 bilhões de GNL originários da Rússia e revisar o ETS — o regime de comércio de emissões que pesa sobre a indústria pesada. “Não digo que deve ser cancelado, mas suspenso ou redistribuído, para não penalizar ainda mais um setor que já arca com energia extremamente cara”, disse o executivo, também qualificando o bloqueio do Estreito de Hormuz como “o evento mais importante dos últimos 40 anos”.

A resposta política veio da primeira-ministra Giorgia Meloni, que ponderou as considerações do setor: reconheceu que Descalzi tem o dever de apresentar sua leitura, mas reafirmou que a pressão econômica sobre Moscou é “a arma mais eficaz que temos para construir a paz”. Meloni disse ainda esperar que, caso a questão se torne aguda em janeiro de 2027, avanços diplomáticos possam reduzir a necessidade de medidas como reativar compras diretas.

Como estrategista que observa mercados e políticas, interpreto essas declarações como uma tensão entre o design de políticas externas e a necessidade imediata de manter o motor produtivo em marcha. A indústria italiana opera hoje sob uma dinâmica de custos elevada, em que decisões sobre GNL e regras como o ETS funcionam como freios ou aceleradores. Reconciliar pressões geopolíticas com a emergência de competitividade é a calibragem que o país precisa — com pragmatismo e visão de alto desempenho.

Em resumo: enquanto executivos pedem realismo e medidas temporárias para proteger a indústria, o Executivo mantém a postura de que a pressão econômica sobre a Rússia continua sendo a ferramenta prioritária para buscar estabilidade e paz.