Pichetto Fratin defende retorno ao átomo: "Sabemos explicar que não há perigos" e chama atenção para autonomia energética
Pichetto Fratin defende retorno ao nuclear, diz que haverá explicação pública e alerta sobre dependência de 15–20% de energia estrangeira, principalmente da França.
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Pichetto Fratin defende retorno ao átomo: "Sabemos explicar que não há perigos" e chama atenção para autonomia energética
Por Stella Ferrari — O ministro do Meio Ambiente e da Segurança Energética, Pichetto Fratin, reafirmou em entrevista ao Corriere della Sera seu posicionamento favorável ao retorno à energia nuclear, mesmo respeitando plenamente a possibilidade de um referendum popular. "Máximo respeito pelas escolhas dos cidadãos. Saberemos explicar que não há nada a temer", declarou, enfatizando que a decisão do governo deve mirar no que é correto para o país, não apenas no que é popular.
Na leitura do ministro, a atual arquitetura do suprimento energético italiano exige ação imediata: "Hoje não somos autônomos em matéria de energia: pegamos cerca de 15-20% do exterior, predominantemente do nuclear francês". Essa dependência, segundo ele, é um alerta — o país precisa ajustar o motor da economia para garantir abastecimento estável e competitivo, com instrumentos montados hoje para produzir já na metade da próxima década.
Pichetto Fratin usou uma metáfora de engenharia para descrever a urgência: é necessária a calibragem das políticas e investimentos agora para evitar que o futuro nos force freios repentinos. A proposta de retornar ao átomo está inserida nessa visão de longo prazo, com foco em segurança energética e planejamento industrial.
Sobre a controvérsia levantada por AVS referente ao possível uso com fins militares, o ministro foi categórico: "Excluímos categoricamente a 'desvio' de material, instalações e tecnologias para produzir armas nucleares". Reconheceu, porém, que há pesquisas que podem ter aplicação em defesa, mas ressaltou que não se trata de uma lógica ofensiva.
Na discussão sobre fontes limpas, Pichetto Fratin também criticou posturas que, segundo ele, se tornam ideológicas e travam a expansão das renováveis. "A defesa do paesaggio não deve prevalecer de maneira ideológica ou por partidarismo, como fazem certas regiões, que hoje bloqueiam 150 gigawatts de nova capacidade". Perguntado se não seria razoável localizar projetos em territórios já comprometidos, o ministro lembrou que já existe norma para isso, embora algumas regiões contestem a aplicação.
Como economista e estrategista de mercado, interpreto as falas do ministro como a busca por uma sintonia fina entre soberania energética e aceitação social. A trajetória proposta — combinar autonomia energética, segurança técnica e expansão de renováveis — exige gestão precisa: projetos locais bem desenhados, diálogo transparente com a sociedade e uma narrativa que explique riscos e benefícios sem histeria.
Em termos práticos, a mensagem é clara: preparar o terreno institucional e técnico hoje para ter opções de geração robustas na próxima década. É uma proposta que fala tanto ao setor industrial e aos investidores — interessados na previsibilidade do sistema elétrico — quanto aos cidadãos, cuja confiança será crucial caso se chegue a uma consulta popular.
Na minha avaliação, a discussão sobre nuclear não pode ser dissociada do desenho geral de políticas energéticas: se o objetivo é manter o motor da economia em funcionamento sem sobressaltos, é preciso acelerar a calibragem das políticas e eliminar entraves regulatórios que funcionam como freios administrativos. Transparência, provas técnicas e diálogo serão as peças-chave dessa aceleração.