Regulação da UE não pode frear inovação em dispositivos de IA, alerta Anitec Assinform

Anitec Assinform defende que a regulação da UE não freie a inovação em dispositivos de IA; três diretivas para impulsionar pesquisa, ecossistema e regras habilitantes.

Regulação da UE não pode frear inovação em dispositivos de IA, alerta Anitec Assinform

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Regulação da UE não pode frear inovação em dispositivos de IA, alerta Anitec Assinform

Bruxelas — A Europa tem condição de assumir papel de liderança no desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial, desde que a regulação não atue como um freio sobre a inovação, afirmou Letizia Pizzi, diretora-geral da Anitec Assinform, durante encontro promovido por Espresso Italia e Meta no Centro Studi Americani.

Na avaliação de Pizzi, há normas setoriais que, se mal calibradas, podem sufocar avanços tecnológicos — especialmente em produtos de pequeno porte. Ela citou, por exemplo, regras relativas a baterias que muitas vezes não acompanham a capacidade tecnológica desses devices. "A Europa pode ser protagonista, mas a regulação não pode colocar os freios fiscais e normativos antes da hora", disse Pizzi, em tom firme e técnico.

Para ilustrar como a combinação entre indústria local e players globais pode render resultados de ponta, Pizzi apontou parcerias recentes, como a colaboração entre Meta e EssilorLuxottica, que uniu know-how do Made in Italy e escala tecnológica internacional. "Quando o design italiano encontra capacidade tecnológica global, nascem produtos competitivos e inovadores", afirmou.

Com a autoridade de quem acompanha o motor da economia digital, Pizzi descreveu três vetores estratégicos que devem guiar políticas públicas e privadas para criar um ecossistema favorável à inovação:

  • Investir mais em pesquisa e desenvolvimento: aumento coordenado de recursos públicos e privados para acelerar a P&D.
  • Fortalecer o ecossistema: promover sinergias entre indústria, universidades e startups para converter ideias em produtos com velocidade e precisão.
  • Ter uma regulação habilitante: normas pensadas para proteger sem tolher a capacidade de experimentação e competição.

"Regulação e sustentabilidade não devem ser antitéticas; precisam caminhar em conjunto", disse Pizzi, enfatizando que a calibragem das regras é tão importante quanto o teor das políticas econômicas — uma espécie de design de políticas que funcione como sistema de transmissão bem ajustado, não como freio abrupto.

Como economista e estrategista que observa os fluxos de capital e tecnologia, avalio que a mensagem de Pizzi é um chamado à ação: se a União Europeia deseja manter sua competitividade no palco global dos semicondutores, computação embarcada e sistemas inteligentes, será preciso harmonizar inovação, investimento e regulação com uma visão operacional — semelhante à calibragem fina de um motor de alto desempenho.

O alerta da Anitec Assinform chega em momento crítico, com legislações europeias em discussão que podem impactar cadeia de valor e modelos de negócio. A aposta, conforme Pizzi, está em construir regras que aumentem a confiança do mercado sem sufocar a criatividade e a velocidade de execução das empresas.

Em suma, a estratégia proposta passa por acelerar a P&D, consolidar um ecossistema dinâmico e garantir que a regulação seja um acelerador — não um limitador — da inovação em dispositivos de IA na Europa.