Ricci (AIDIC): “Não há transformação industrial sem segurança”

Ricci (AIDIC) afirma que a transformação industrial exige segurança robusta; Seveso e NaTech redefinem prioridades para proteção e resiliência.

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Ricci (AIDIC): “Não há transformação industrial sem segurança”

Por Stella Ferrari — Nenhuma reconfiguração do setor manufatureiro pode prescindir da proteção do trabalho e do território. Esse foi o posicionamento firme de Giuseppe Ricci, presidente da AIDIC (Associação Italiana de Engenharia Química) e Chief Operating Officer de Industrial Transformation na Eni, por ocasião do encontro “Seveso, 50 anos depois: dall’Incidente all’innovazione della Cultura della Sicurezza”, promovido no Instituto Superior Antincêndio (ISA), em Roma (Via del Commercio, 13).

O propósito do evento, segundo Ricci, é criar sinergias operativas entre os órgãos institucionais — CNVVF, ISPRA (SNPA), INAIL, Protezione Civile Nazionale — e a comunidade acadêmica e industrial representada pela AIDIC. Trata-se de transformar a evocação de um fato histórico em diretrizes práticas e integradas para a prevenção e a tutela territorial, movendo-se da memória para a responsabilidade concreta.

“A 10 de julho de 1976, o incidente de Seveso marcou um ponto de inflexão para a Europa: nascia a diretiva Seveso e uma nova consciência do risco industrial. Seveso não é apenas uma página da história industrial; é a gênese de uma cultura moderna de prevenção, gestão de risco e proteção do território”, afirmou Ricci, lembrando que hoje essa cultura enfrenta desafios tecnologicamente mais complexos e dissonantes.

O momento de transformação do setor produtivo europeu — com a transição energética, a digitalização de plantas industriais e o surgimento de novas cadeias tecnológicas — redesenha a matriz de perigos e exige calibragem contínua dos protocolos de segurança. A União Europeia tem centrado atenção nos fenômenos NaTech, incidentes tecnológicos desencadeados por eventos climáticos extremos e anomalias ambientais que ameaçam a integridade de infraestruturas estratégicas e cadeias produtivas.

Além disso, a rápida adoção de tecnologias como hidrogênio, baterias, sistemas de armazenamento energético, biocombustíveis e redes inteligentes impõe uma revisão permanente das competências de engenharia e dos protocolos de proteção. “Hoje, na Itália, existem mais de mil estabelecimentos sujeitos à diretiva Seveso, frequentemente localizados próximos a áreas residenciais ou nós logísticos e energéticos”, ressaltou o presidente da AIDIC. Por isso, a segurança industrial deixou de ser um tema técnico restrito: impacta trabalhadores, cidadãos, ambiente, infraestruturas críticas e, por consequência, a resiliência nacional.

Ricci também alertou para as novas vulnerabilidades digitais. Ataques cibernéticos contra infraestruturas estratégicas e redes energéticas emergem como fatores de risco que se somam aos riscos físicos; sua gestão exige uma abordagem sistêmica e interdisciplinar, na qual engenharia, proteção civil, regulação e indústria operem em conjunto.

O encontro no ISA é, portanto, mais que uma comemoção: é um chamado à ação coordenada, à inovação da cultura de segurança e à construção de trajetórias futuras de prevenção. Como em um motor de alta performance, disse Ricci, é preciso calibrar peças — tecnologia, normas, formação e governança — para que a aceleração das transformações não sacrifique a integridade social e ambiental. A tarefa é complexa, mas essencial: a modernização industrial só é sustentável se estiver ancorada em uma segurança industrial robusta e compartilhada.