Salone del Libro de Turim bate recorde: 254 mil visitantes no Lingotto

Salone del Libro em Torino reúne 254 mil visitantes no Lingotto; destaque para Bernie Sanders, crescimento da Mondadori e forte presença de jovens leitores.

Salone del Libro de Turim bate recorde: 254 mil visitantes no Lingotto

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Salone del Libro de Turim bate recorde: 254 mil visitantes no Lingotto

Salone del Libro encerra sua 38ª edição em Torino com números que funcionaram como um turbo para o mercado editorial: 254 mil visitantes circularam entre mais de 500 estandes no Lingotto ao longo de cinco dias dedicados a encontros, leituras e espetáculos.

Sob a direção de Annalena Benini e o tema "Il mondo salvato dai ragazzini", a bienal literária consolidou-se como um verdadeiro motor de dinamização cultural. Foram 34 mil estudantes — acompanhados por professores e educadores — percorrendo os corredores do Salone, sinal claro da eficácia da programação voltada às novas gerações e da recuperação do hábito de leitura.

Os números estruturais confirmam a escala do evento: 147 mil metros quadrados de área expositiva, 1.250 marcas editoriais presentes, 70 salas de debate e 378 horas de oficinas. No total, mais de 2.700 eventos ocorreram no Lingotto, somados a outros 500 eventos no circuito do Salone Off, fortalecendo a capilaridade do festival pelo território.

Entre os encontros de destaque, o escritor francês Emmanuel Carrère e o grego Petros Markaris, autor do recente romance La ricchezza che uccide, trouxeram debates literários e memórias — Markaris evocou a amizade com Andrea Camilleri. O senador norte-americano Bernie Sanders protagonizou sessões lotadas e afirmou, em diálogo com o público, que "o que Trump diz sobre a Europa não representa a opinião da maioria dos americanos" e que será possível reconstruir uma relação sólida com o Velho Continente.

Filas longas marcaram as sessões com nomes nacionais de grande apelo: Zerocalcare, Roberto Saviano, Niccolò Ammaniti e o cardeal Matteo Zuppi. O Salone também atraiu figuras do esporte e do entretenimento — entre elas, o 'divin codino' Roberto Baggio, que se disse surpreso com a acolhida calorosa; e artistas como Lino Banfi, Orietta Berti, Mara Maionchi, Fiorello, Jovanotti e Ligabue.

No pavilhão Oval, os visitantes contribuíram para a criação de cinco murais coletivos, cada um dedicado a grandes narrativas: dos achados de Gulliver às Mil e Uma Noites, passando pelo imaginário de Stephen King e A História Sem Fim. Essa curadoria participativa reforça o papel do Salone como estúdio de ideias e vitrine de imaginação.

Do ponto de vista comercial, o balanço foi positivo e traduzido em crescimento para diversas editoras. O grupo Mondadori reportou um incremento de 10% nas vendas em comparação com 2025 — com destaque para os títulos mais procurados: Il tempo del la la la (Luciana Littizzetto), Cesare, la conquista dell’eternità (Alberto Angela) e Arkansas (Chiara Tagliaferri). A Einaudi também registrou forte procura por obras de Niccolò Ammaniti, Vasco Brondi e Concita De Gregorio.

Como estrategista que acompanha o pulso do mercado, avalio o evento como uma calibragem precisa: talento cultural, público e mercado trabalharam em conjunto, gerando uma aceleração de tendências e sinalizando confiança para a cadeia do livro. O Salone 2026 fecha o pano não apenas como uma festa, mas como uma peça de engenharia cultural que alimenta o motor da economia editorial.