SpaceX prepara IPO bilionário: como Musk pode se tornar o primeiro trilionário da história

SpaceX mira IPO histórico de até US$80 bi; avaliação de US$1,75 tri pode tornar Musk o primeiro trilionário. Entenda números e riscos.

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SpaceX prepara IPO bilionário: como Musk pode se tornar o primeiro trilionário da história

Por Stella Ferrari — A SpaceX avança para a Bolsa com uma operação que promete ser o maior IPO já visto nos mercados globais, uma verdadeira recalibragem do motor da economia tecnológica. A oferta pública inicial anunciada pelo conglomerado de Elon Musk, que em fevereiro integrou a xAI (criadora do Grok) e a rede social X, pode transformar não só a estrutura do capital do grupo, mas também o patamar patrimonial de seu fundador — potencialmente fazendo de Musk o primeiro trilionário da história.

Os números revelados mostram a contundência da manobra. A companhia busca captar entre 75 e 80 bilhões de dólares por meio da emissão de novas ações — uma soma que pulverizaria o recorde atual, estabelecido pela Saudi Aramco em 2019 (25,6 bilhões de dólares). Para efeito de comparação, esse volume supera o produto interno bruto anual de vários países europeus de porte médio, evidenciando a escala macroeconômica da operação.

A SpaceX fixou o preço por ação em 135 dólares para uma emissão de 555,6 milhões de papéis, uma escolha incomum frente à prática tradicional de oferecer uma faixa de preço. A fixação direta do valor sinaliza demanda robusta: a colocação aparece amplamente sobressubscrita — estimativas indicam subscrições entre duas e quatro vezes — e ordens institucionais confirmadas superiores a 10 bilhões de dólares.

Com isso, a avaliação implícita do grupo chega a cerca de 1,75 trilhão de dólares, posicionando a empresa entre as dez maiores capitalizações do planeta, atrás de gigantes como Apple, Nvidia e Alphabet, e à frente de concorrentes como Meta. Notável é a velocidade dessa ascensão: seis meses atrás, em dezembro de 2025, a avaliação aproximada era de 800 bilhões de dólares — uma aceleração que fala tanto de execução quanto de expectativa do mercado.

Do ponto de vista operacional, a SpaceX reportou receitas de 18,6 bilhões de dólares em 2025, um crescimento de aproximadamente um terço em relação ao ano anterior. A divisão Starlink é hoje o principal propulsor de receita, respondendo por mais de 60% dos ingressos — acima de 11 bilhões de dólares — e registrando, no primeiro trimestre de 2026, receitas de 3,3 bilhões com margem operacional de 36%. É a tradução, na prática, da conversão de uma tecnologia outrora vista como futurista em um negócio de alta rentabilidade.

No entanto, a mesa de engenharia financeira também mostra custos elevados: o grupo fechou 2025 com prejuízo líquido de 4,9 bilhões de dólares, reflexo de investimentos massivos em inteligência artificial e no projeto Starship. A área de IA consumiu quase 10 bilhões de dólares durante o ano, com aportes adicionais de cerca de 7,72 bilhões no primeiro trimestre de 2026, sustentando uma estratégia de longo prazo que exige forte capitalização agora acessada via mercado.

Em termos estratégicos, a operação é uma manobra de alta performance: capitalizar os projetos mais intensivos em capital sem freios fiscais excessivos, mantendo a capacidade de acelerar iniciativas quando necessário. Para investidores e formuladores de políticas, trata-se de um teste sobre como o mercado reprecifica conglomerados híbridos de tecnologia, telecomunicações e infraestrutura espacial.

Para o ecossistema econômico global, a IPO da SpaceX é mais do que uma grande oferta de ações: é um redesign das referências de capitalização e risco, uma recalibragem que poderá alterar a ordem das maiores empresas do mundo e, possivelmente, levar Musk a um marco histórico de riqueza. Como em um motor de alta cilindrada, essa operação exige precisão de engenharia financeira e a calibragem fina de expectativas — enquanto o mundo observa, a economia acelera.