Tarifas em pauta: China e EUA realizam conversas comerciais em Seul antes da cúpula Trump‑Xi

He Lifeng e delegação chinesa se reúnem com EUA em Seul para afinar acordo tarifário antes da cúpula Trump‑Xi. Segurança econômica em destaque.

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Tarifas em pauta: China e EUA realizam conversas comerciais em Seul antes da cúpula Trump‑Xi

Por Stella Ferrari — A próxima semana terá papel decisivo na agenda econômica global: o vice‑primeiro‑ministro chinês He Lifeng, principal responsável econômico de Pequim, realizará em Seul conversas com representantes dos EUA para tratar de questões comerciais de interesse mútuo, anunciou o Ministério do Comércio da China.

Segundo o comunicado oficial, as delegações se encontrarão na terça e na quarta‑feira para "consultas sobre questões econômicas e comerciais de interesse comum". O calendário dá sequência à preparação do encontro de alto nível entre os presidentes Xi e Trump, marcado para ocorrer em Pequim nos próximos dias.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, confirmou em uma mensagem na plataforma X que fará uma escala em Seul na quarta‑feira para se reunir com He Lifeng, antes de seguir para Pequim para o previsto encontro entre os líderes. Bessent destacou que, antes, na terça‑feira, manteria conversas preliminares em Tóquio com a primeira‑ministra japonesa Sanae Takaichi e a ministra das Finanças Satsuki Katayama, além de interlocuções com representantes do setor público e privado.

O cenário é de calibragem fina: desde que Washington e Pequim aplicaram tarifas recíprocas há cerca de um ano, as tensões comerciais têm funcionado como um sistema de freios e acelerações na dinâmica global. No encontro de outubro, em Seul, Trump e Xi acordaram uma trégua comercial de um ano; agora, as conversas técnicas visam transformar essa trégua em resultados concretos e anunciáveis na cúpula.

Além das questões tarifárias, a visita do presidente Trump à China — a primeira de um presidente americano desde 2017 — deverá abordar temas sensíveis como Taiwan, enquanto a guerra no Oriente Médio se mantém como pano de fundo instável. Diante desse mosaico, as negociações bilaterais funcionarão como testes de engenharia diplomática, em que a calibragem de medidas econômicas exige precisão e sincronia entre diferentes sistemas.

Em suas declarações, Bessent sublinhou: "A segurança econômica é segurança nacional", enfatizando que a agenda que promove — alinhada ao conceito de "America First" — colocará ênfase na proteção de interesses estratégicos. Tanto ele quanto Trump têm sido protagonistas nas negociações com a China sobre todo o espectro de assuntos econômicos e comerciais, o que sugere que os encontros em Seul servirão para afinar comunicados e medidas que possivelmente serão anunciadas pelos presidentes.

Do ponto de vista prático, espera‑se que as sessões definam detalhes operacionais: calendários de revisão tarifária, mecanismos de supervisão de cumprimento e eventuais concessões setoriais. Em termos de mercado, são estes os ajustes finos — a “torque” estratégico — que podem reduzir a incerteza e permitir que investimentos e cadeias de abastecimento recuperem ritmo.

Como estrategista econômica, vejo estas conversas como a fase de teste de um motor complexo: se a engenharia política e a calibragem técnica estiverem alinhadas, há potencial para uma desaceleração das hostilidades comerciais sem perda de receita fiscal imediata; caso contrário, a emergência de novos atritos pode reativar medidas protecionistas. De qualquer modo, os olhos do mercado estarão voltados para Seul e para o anúncio final em Pequim.