Tecnologia e defesa impulsionam bolsas europeias enquanto Brent volta a subir acima de US$90

Tecnologia e defesa impulsionam bolsas europeias; Brent acima de US$90, BTP em alta e investidores aguardam decisão do BCE. Leia a análise de Stella Ferrari.

Tecnologia e defesa impulsionam bolsas europeias enquanto Brent volta a subir acima de US$90

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Tecnologia e defesa impulsionam bolsas europeias enquanto Brent volta a subir acima de US$90

O preço do petróleo voltou a ganhar terreno: o Brent ultrapassou ligeiramente os 90 dólares por barril, revertendo a queda para 88 dólares registrada entre ontem à noite e esta manhã, quando a proposta de cessar-fogo de 10 dias apresentada por Qatar, Egito, Paquistão e outros mediadores parecia acalmar o mercado. As notícias da manhã — incluindo o ataque a um data center da Amazon no Barém — provocaram nova inversão de marcha.

As bolsas europeias seguem majoritariamente em alta após o fechamento praticamente estável de ontem. Destaque para a Bolsa de Londres, que avançou +0,22% depois da surpreendente nomeação do ex-ministro da Defesa John Healey como Chanceler do Tesouro pelo novo primeiro-ministro Andy Burnham. Milano foi a melhor entre as principais praças financeiras europeias, subindo +0,41%.

No front macro, o índice Zew do sentimento entre investidores institucionais alemães superou expectativas, saltando de 10,5 para 26,3, mostrando uma aceleração do otimismo que funciona como combustível para ativos de risco.

Em tom negativo, o Financial Times noticiou que o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria pronto para anunciar ainda esta semana uma nova rodada de tarifas sobre dezenas de países, à medida que se aproxima o vencimento da tarifa global temporária de 10% — um potencial freio comercial que os mercados não ignoram.

Nos Estados Unidos, espera-se um repique mais vigoroso do índice Nasdaq de tecnologia, que subiu +1,3%, na expectativa pelos resultados da Alphabet amanhã.

A tecnologia recuperou terreno na Ásia após as perdas da semana passada: Tóquio avançou quase +3% e Seul +4% — esta última bolsa que havia caído cerca de 25% no último mês, mas acumula alta de +61% no ano. Em Milão, o setor também sobressaiu: STMicroelectronics liderou, com +3,19%, seguida por Prysmian (+3%), que ontem fechou um acordo de US$ 5,5 bilhões com a americana Molex para fornecimento de cabos ópticos a data centers.

O segmento de defesa também ganhou força, com Leonardo em alta de +2,09%, refletindo a rotação de carteira dos investidores em busca de ativos defensivos em um ambiente de tensão geopolítica.

Voltaram os temores de inflação, pressionando os rendimentos dos títulos públicos: o rendimento do BTP italiano atingiu 3,97% (+2 pontos-base), contra 3,60% no início do mês. A próxima decisão do Banco Central Europeu (BCE), marcada para quinta-feira, mantém investidores em alerta; a expectativa dominante é de manutenção das taxas após a alta de junho — uma calibragem fina do motor da política monetária que pode influenciar risco e retorno globalmente.

Em suma, o dia é de aceleração para tecnologia e defesa, com preços de energia e sinais macro atuando como variáveis de ajuste na dinâmica dos mercados. A combinação de choques geopolíticos, leituras de sentimento e riscos de tarifação aponta para uma sessão onde a calibragem de portfólios será determinante — como ajustar a suspensão de um veículo de alta performance para recuperar velocidade sem perder controle.