Tregua EUA-Irã não derruba preço dos combustíveis: por que gasolina e diesel seguem altos

Tregua EUA-Irã pressiona Brent, mas gasolina e diesel seguem altos; entenda por que a queda internacional ainda não chegou à bomba.

Tregua EUA-Irã não derruba preço dos combustíveis: por que gasolina e diesel seguem altos

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Tregua EUA-Irã não derruba preço dos combustíveis: por que gasolina e diesel seguem altos

Por Stella Ferrari – Em meio à trégua anunciada entre EUA e Irã e à reabertura prevista do Estreito de Ormuz, o mercado petrolífero registrou uma forte queda do preço do Brent, negociado abaixo de 93 dólares (fechara ontem a 109 dólares, recuo próximo a 15%). No entanto, essa desaceleração no mercado internacional ainda não se traduziu em alívio imediato para os consumidores: os preços médios dos combustíveis na bomba permaneceram firmes nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026.

O diesel atingiu um novo recorde nas medições desta manhã, ficando ligeiramente abaixo de 2,18 euro/litro (vale notar que com a carga tributária plena o valor efetivo ultrapassaria os 2,40 €/l). A gasolina também se manteve elevada, próxima de 1,79 €/l (2,03 € com todas as componentes fiscais). Segundo o levantamento divulgado, os preços médios nacionais no modo self service na rede rodoviária estão em 1,789 €/l para a gasolina e 2,178 €/l para o diesel. Nas autoestradas, os valores médios são 1,825 €/l (gasolina) e 2,191 €/l (diesel). Gás liquefeito de petróleo (GPL) e metano seguem, respectivamente, em 0,784 €/l e 1,606 €/kg na rede rodoviária.

Na prática, há um descompasso entre a evolução do mercado internacional e a formação de preços ao consumidor final. Apesar de o Brent ter caído com a perspectiva de maior segurança na passagem pelo Estreito de Ormuz, as cotações de derivados — especialmente do diesel — despencaram com menor velocidade, o que pode refletir estoques, spreads de refino, hedges e ajustes tarifários das distribuidoras. Segundo a Staffetta Quotidiana, a ENI elevou os preços recomendados em 3 cêntimos por litro para a gasolina e em 8 cêntimos para o diesel.

O Ministério das Empresas e do Made in Italy (MIMIT) confirmou os números: 1,789 €/l para gasolina e 2,178 €/l para diesel no modo self na rede rodoviária nacional; na rede autostradale, 1,825 €/l e 2,191 €/l, respetivamente. Para os consumidores, fatores regionais agravam a conta: o presidente da Unione Nazionale Consumatori, Massimiliano Dona, aponta que o diesel já ultrapassou os 2,2 €/l em Bolzano, enquanto Calábria e Lombardia se aproximam desse patamar.

Dados detalhados mostram que o diesel mais caro é vendido em Bolzano a 2,205 €/l, seguido pela Calábria (2,198 €/l) e Lombardia (2,195 €/l). A maior alta diária foi registrada na Sicília, onde um tanque de 50 litros de diesel ficou 2,45 € mais caro do que ontem. Na gasolina, as autoestradas lideram os preços (1,825 €/l), com Bolzano (1,822 €/l) e Calábria (1,811 €/l) logo atrás — Bolzano anotou a maior subida diária, com um reabastecimento ficando 0,80 € mais caro.

Em síntese, a recente tregua EUA-Irã aciona a desaceleração do preço do Brent, mas a calibragem dos preços ao nível do consumidor segue lenta. Enquanto o motor da economia busca ganho de tração com sinais de menor risco geopolítico, os freios tributários, margens de mercado e dinâmica de estoques mantêm a pressão sobre a carteira dos brasileiros e europeus. Nos próximos dias, se as cotações de derivados acompanharem a queda do Brent, poderemos finalmente ver um alívio na bomba — até lá, a volatilidade e a arquitetura fiscal continuarão determinando a velocidade da queda.