UE formaliza acordo com os EUA: tarifas limitadas a 15% e cláusula de validade até 2029
UE e EUA formalizam acordo: tarifas limitadas a 15%, cláusula de suspensão e vencimento adiado para 2029. Votação no Parlamento prevista para 18/06.
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UE formaliza acordo com os EUA: tarifas limitadas a 15% e cláusula de validade até 2029
Por Stella Ferrari — Em um movimento de calibragem fina nas relações comerciais transatlânticas, a UE concluiu a formalização do pacote negociado com os EUA, consolidando as linhas mestras assinadas em julho passado na Escócia por Ursula von der Leyen. O texto-base do acordo manteve-se inalterado em sua essência, mas incorporou ajustes contratuais que visam preservar margem de manobra política e evitar surpresas que poderiam travar o motor da economia europeia.
O cerne do entendimento permanece claro: a União Europeia aceitará eliminar tarifas sobre bens industriais norte-americanos e sobre uma seleção de produtos agrícolas, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não elevar as tarifas acima de 15% para grande parte das exportações europeias. A promessa americana era vital depois das ameaças do presidente Donald Trump de ampliar essa alíquota caso o pacto não fosse ratificado até julho.
Foram introduzidas, contudo, duas cláusulas relevantes. A primeira estabelece que, se os EUA não reduzirem as tarifas sobre aço e alumínio para o patamar de 15% até o final do ano, a Comissão Europeia poderá, a pedido do Parlamento ou de um Estado-membro, suspender o acordo. Trata-se de um freio de segurança para evitar desequilíbrios setoriais que possam comprometer indústrias chave na Europa.
A segunda modificação refere-se à duração do pacto: a cláusula de vencimento foi prorrogada. Inicialmente prevista para março de 2028, a data de expiração foi deslocada para março de 2029 — propositalmente colocada após o término do mandato de Trump — reduzindo a incerteza política no curto prazo.
O processo de formalização, parado desde janeiro por motivações políticas e legais, caminha agora para a fase final. A votação em plenário do Parlamento Europeu, exigida para que o tratado entre oficialmente em vigor, está prevista para ocorrer pelo menos em 18 de junho, em Estrasburgo. A aprovação estava suspensa desde que Trump fez provocações públicas relativas à Groenlândia, em janeiro, e foi ainda complicata por uma decisão da Suprema Corte dos EUA que considerou ilegais vários procedimentos adotados para a imposição de tarifas incluídas no acordo.
Como economista, vejo este pacto como uma peça de engenharia diplomática: preserva o livre fluxo de bens essenciais, mitiga riscos para setores sensíveis e instala mecanismos de contingência. A combinação de abertura comercial e cláusulas de proteção funciona como uma calibração do motor econômico — busca maximizar a aceleração de crescimento sem comprometer o chassi industrial.
Embora o acordo ainda não esteja em vigor, sua formalização é um sinal de que Bruxelas e Washington preferem um desenho negociado às soluções unilaterais. Resta agora aguardar o voto em junho para saber se a União Europeia conseguirá transformar o entendimento político em norma efetiva, com cláusulas que servem tanto como acelerador quanto como freio, conforme exigirem as condições do mercado.
Stella Ferrari é economista sênior da Espresso Italia, com foco em macroeconomia e estratégias de alto desempenho.