Uso de agrofármacos para o biocontrole cresce 130% e reforça resiliência da agricultura
Uso de agrofármacos para biocontrole cresce 130% em 10 anos; produtos naturais aumentam resiliência frente à crise das fontes fósseis.
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Uso de agrofármacos para o biocontrole cresce 130% e reforça resiliência da agricultura
Roma — Em apresentação realizada hoje em Roma, Maria Grazia Mammuccini, presidente da FederBio, destacou que o uso de agrofármacos destinados ao biocontrole teve uma aceleração notável na última década, crescendo mais de 130%. O dado, extraído do Observatório Agrofarma, mostra uma mudança estrutural no perfil de proteção das culturas, com implicações diretas para a segurança alimentar e a estratégia industrial do setor.
"A apresentação deste manifesto, fruto da colaboração entre FederBio e Agrofarma, tem objetivos claros: investir para ampliar o portfólio de produtos de biocontrole", afirmou Mammuccini durante o evento. Ela ressaltou que esses produtos são baseados em princípios ativos de origem natural, essenciais não apenas para a agricultura biológica, mas cada vez mais adotados pela agricultura convencional.
Segundo Mammuccini, nos últimos dez anos houve uma redução de 18% no uso de agrofármacos de síntese química, enquanto o biocontrole seguiu em forte expansão. "Isso demonstra que são produtos eficazes e utilizados além das fronteiras da agricultura orgânica", disse ela, destacando que a adoção crescente traduz uma mudança técnica e de mercado que está recalibrando o motor da economia agrária.
A presidente da FederBio também enfatizou fatores exógenos que impulsionam a transição: crises geopolíticas sucessivas têm tornado a cadeia de abastecimento de insumos derivados de fontes fósseis mais vulnerável, com aumento de custos e riscos de ruptura. "Com essas crises, os produtos provenientes de fontes fósseis ficam cada vez mais difíceis de aprovisionar — isso amplia os custos e cria impacto negativo sobre a agricultura", afirmou.
No argumento de Mammuccini há também uma lógica operacional e estratégica: produtos de biocontrole, por serem baseados em substâncias naturais, são mais facilmente acessíveis e, portanto, mais resilientes diante de choques externos. "São capazes de assegurar soluções adequadas à agricultura e de garantir segurança alimentar aos cidadãos", concluiu.
O manifesto lançado em parceria com a Agrofarma, associação do setor vinculada à Federchimica que representa empresas produtoras de agrofármacos, pretende, segundo a líder da FederBio, fomentar investimentos e ampliar alternativas tecnológicas. Em termos de políticas públicas, trata-se de um chamado à calibragem de políticas que apoiem inovação, regulação eficiente e rotas de comercialização que acelerem a transição sem perda de produtividade.
Como estrategista de mercado, observo que essa tendência é uma aceleração de tendências que combina segurança de abastecimento, preferências de consumidores e pressão regulatória. Em um ambiente onde os freios fiscais e as disrupções logísticas podem reduzir margens, diversificar insumos e modernizar o portfólio de proteção de culturas é, literalmente, afinar o motor produtivo para rodar com maior eficiência e resiliência.
O manifesto será, portanto, um ponto de inflexão potencial: busca consolidar o biocontrole como componente estruturante da política agroambiental e como oportunidade de mercado para empresas que desejam competir em qualidade, sustentabilidade e previsibilidade de fornecimento.