79° Festival de Cannes: entre clássicos restaurados e apostas contemporâneas, a Croisette se ilumina
Cobertura do 79° Festival de Cannes: clássicos restaurados, estreias esperadas e a presença italiana nas seções paralelas da Croisette.
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79° Festival de Cannes: entre clássicos restaurados e apostas contemporâneas, a Croisette se ilumina
Está tudo pronto para a 79° Festival de Cannes, que abre suas portas em 12 de maio e se estende até 23 de maio de 2026. A cada ano a escadaria do Grand Théâtre Lumière — a célebre Montée des Marches — volta a funcionar como um espelho do nosso tempo: por um lado, os grandes mestres em competição; por outro, os títulos que reescrevem o presente do cinema.
Entre os nomes de peso anunciados para a disputa estão autores como Pedro Almodóvar e Hirokazu Kore‑eda, prontos a subir os degraus consagradores. Curiosamente, não há filmes italianos na seleção oficial, mas a presença da Itália na Croisette é sentida em diferentes frentes — como ocorre em um bom roteiro, onde a nação aparece em cenas decisivas, mesmo quando não é protagonista.
No dia 13 de maio, uma pequena participação de Erri De Luca chama a atenção no filme A Woman's Life, dirigido por Charline Bourgeois‑Taquet. E, na seção Cannes Classics, em 16 de maio, será exibido o documentário Vittorio De Sica - La vita in scena, assinado por Francesco Zippel — uma coprodução Quoiat Films, Luce Cinecittà, Movimenti Production e Sky. Zippel, a produtora Federica Paniccia e os netos Andrea e Brando De Sica estarão presentes, devolvendo ao público uma imagem viva de um dos maiores mestres do cinema mundial.
Outro momento de resgate histórico será em 18 de maio, com a presença de Dario Argento para celebrar o restauro de Metti, una sera a cena (1968), filme escrito por Argento e dirigido por Giuseppe Patroni Griffi, restaurado pela Snd (M6 Group) com a participação da Cineteca Nazionale de Roma.
O festival também reserva espaço para o cinema romano e para a inventividade autoral. Em 20 de maio, Roma Elastica, de Bertrand Mandico, integra a seção Midnight Screenings, reunindo no elenco nomes como Isabella Ferrari, Ornella Muti, Franco Nero e outros intérpretes que trazem uma Roma cinematográfica e elástica — imagem que remete ao roteiro oculto da cidade como personagem.
No âmbito da Quinzaine des Réalisateurs, em 21 de maio, será exibido o curta Oh Boys, escrito e dirigido por Antonio Donato. Desenvolvido no Premiere Film Lab, o trabalho investiga a fragilidade masculina contemporânea em três episódios que misturam ironia e intimidade. No mesmo dia, La bola negra chega com Lorenzo Zurzolo ao lado de Glenn Close e Penélope Cruz. E, em 23 de maio, Monica Bellucci aparece em Histoires de la nuit.
A trilha sonora também fala italiano neste Cannes: Pino Donaggio foi convocado por Nicolas Winding Refn para compor a música de Her Private Hell. No que diz respeito ao júri, o sul‑coreano Park Chan‑wook preside a equipe que terá nomes como Demi Moore, a cineasta premiada Chloé Zhao, o sueco Stellan Skarsgård e a atriz Ruth Negga, entre outros, encarregados de escolher a Palma d’Oro.
Entre as atrações de destaque, Scarlett Johansson retorna à atuação com o policial Paper Tiger, dirigido por James Gray, ao lado de Adam Driver e Miles Teller — depois de sua estreia na direção no ano passado com Eleonor the great. E, curiosamente, John Travolta, que já subiu muitas vezes as escadas como ator, fará sua estreia como diretor aos 72 anos com um filme que reflete sua paixão de longa data pelo cinema.
O festival, assim, atua como um reframe da realidade cinematográfica: um roteiro que mistura memória restaurada e urgência contemporânea. A Croisette volta a ser um cenário de transformação, onde clássicos revisitados convivem com o espanto das novas narrativas. Para quem busca não só o brilho das estreias, mas o “porquê” cultural por trás delas, este Cannes promete momentos de reflexão e celebração.