Eurovision 2026 conquista crianças, mas audiência da Rai sofre com o palinsesto
Eurovision 2026 atrai crianças e público jovem, mas audiência da Rai cai por causa do palinsesto e dos programas de access prime time.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Eurovision 2026 conquista crianças, mas audiência da Rai sofre com o palinsesto
Por Chiara Lombardi — O Eurovision continua sendo um espelho do nosso tempo: um espetáculo pop que revela mais sobre hábitos de consumo cultural do que apenas preferências musicais. Nesta edição, o festival mostrou um público transversal, com um ganho notável entre os mais jovens, mas sofreu um arrasto nos números gerais por conta do palinsesto italiano.
Os dados compilados pela Geca com base na Auditel confirmam que o investimento da Rai no Eurovision Song Contest 2026 permanece estratégico — porém um pouco mancado pela configuração de grade. Nas duas primeiras noites do evento, ou seja, nas semifinais de terça e quinta, o concurso perdeu quase 400 mil espectadores de média em relação ao ano anterior. A explicação principal é a longa sequência do access prime time, com os campeões de audiência «Affari tuoi» e «Ruota» a concentrar mais de nove milhões de espectadores em Rai1 e Canale5, reduzindo o impulso de entrada para o festival.
A programação internacional do Eurovision exige um início pontual às 21h00, o que — numa televisão que se organiza em torno do jogo de acesso — penaliza o evento já na largada. Ainda assim, as semifinais conservaram papel essencial: são elas que constroem o clima e sedimentam o acontecimento no imaginário coletivo.
A primeira semifinal, realizada na terça-feira, foi a mais vista: média de 1.856.000 espectadores e share de 10,2%. O resultado foi impulsionado, em parte, pela presença de Sal Da Vinci na segunda parte do show. A segunda semifinal, na quinta, registrou 1.286.000 espectadores médios e share de 6,9%. Em ambos os casos, uma porção do público só migra para o Eurovision após as 22h00, quando os programas de access terminam.
O que salta aos olhos é o perfil do público alcançado: enquanto a Rai luta contra o envelhecimento da sua audiência, o Eurovision aparece como um tônico geracional. A melhor share foi entre os 8 e 14 anos — as crianças mostraram mais de 16% de share — e, de modo geral, todas as faixas abaixo dos 65 anos mantiveram shares superiores a 10%. Acima dos 65, o interesse se reduz pela metade.
O festival também foi bem entre os espectadores com ensino superior (share de 13,2%) e funciona melhor no Centro-Norte — com destaque para o Veneto, quase 12% de share — do que no Sul. Em termos de comentário e apresentação, críticas foram dirigidas ao tom inapropriado e tagarela do comentário em estúdio, desta vez associado a Elettra Lamborghini, que acabou por reduzir a solenidade que o evento cultural demanda.
Em suma, o Eurovision confirma-se como um ativo valioso para a Rai e para a construção de uma narrativa cultural europeia — um roteiro oculto que mistura entretenimento, memória e identidade —, mas padece de escolhas de grade que o desvalorizam no confronto com os gigantes do access. Em colaboração com Massimo Scaglioni, a elaboração é da Geca sobre dados Auditel.
Dados-chave: Primeiro dia (terça) — 1.856.000 espectadores, 10,2% de share; segundo dia (quinta) — 1.286.000 espectadores, 6,9% de share; melhor penetração entre 8-14 anos (>16%); share entre graduados 13,2%; desempenho superior no Centro-Norte (Veneto ~12%).