Gaia De Laurentiis em Pechino Express: 'Comi muito varano porque estava exausta' — entre o violoncelo e a recusa às redes sociais
Gaia De Laurentiis conta por que comeu varano em Pechino Express, fala do violoncelo, da relação com a filha Agnese e da decisão de evitar redes sociais.
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Gaia De Laurentiis em Pechino Express: 'Comi muito varano porque estava exausta' — entre o violoncelo e a recusa às redes sociais
Por Chiara Lombardi — Em um episódio que parece retirado de um roteiro onde a aventura encontra a cena íntima do espelho social, Gaia De Laurentiis surge em Pechino Express com um grande estojo de violoncelo às costas, o corte de cabelo impecável e o sorriso que mistura curiosidade e serenidade. A atriz e musicista, que participa da nova edição ao lado da filha Agnese Catalani, não é apenas protagonista da competição: é um pequeno manifesto sobre como a imagem pública conflita com o desejo privado.
“Sou estudante. Estudar é uma droga”, confessa ela, num tom quase cinematográfico — como se estudar fosse uma trilha sonora que a persegue desde os 17 anos, quando descobriu a vocação pelo teatro. O violoncelo, instrumento que carrega como um símbolo, ganha uma observação curiosa: é frequentemente utilizado para contar o erotismo nas imagens. “(Ri) Por isso meu marido não está contente”, diz, com a leveza de quem brinca com a própria mitologia.
Na estrada do reality, a relação mãe-filha se revela em contrastes. “Nos adoramos, mas nossos caracteres fazem dificuldade”, admite Gaia. A convivência sob tensão e sob cLA VIA ITALIAço expõe fragilidades: “Descobri que sou mais frágil do que pensava, especialmente sob stress. Preciso sentir-me amada, e um pouco já suspeitava disso.” A confissão tem a subtileza de um close prolongado: a busca por afeto, para quem vive sob refletores, é parte do roteiro oculto que a fama não roteiriza por completo.
Entre os desafios físicos do percurso, surge um momento que viralizou: Gaia admite ter comido varano. “Comi bastante varano porque estava stanchissima — exausta. É bom e nutritivo”, explica com franqueza. A justificativa atravessa o pragmatismo da sobrevivência no formato de reality: não é apelo à chocância, é registro de necessidade. “Resta um varano. Estava exausta”, repete, como se descrevesse uma cena de cinema onde a exaustão dita escolhas gustativas.
Sobre a recepção pública, Gaia é contundente: “Não leio mais as redes sociais, eu poderia me ammalare — ficar doente. Me chamaram de 'disagiata'.” A retirada deliberada das plataformas é um gesto de autocuidado e resistência: preferir a respiração real ao algoritmo que amplifica ofensas e rótulos. É também um comentário sutil sobre a semiótica do viral, onde qualquer gesto pode ser readaptado como caricatura.
Artista por vocação, Gaia fala da televisão com distância crítica. “A televisão deixou de parecer comigo”, confessa — um diagnóstico que aponta para a transformação do meio. O palco, por outro lado, continua sendo sua casa: “Amo estar lá em cima, mas sem isso não sou desesperada.” A modulação entre necessidade e independência revela o equilíbrio tênue entre ego e entrega: seu marido, psiquiatra, brinca que talvez ela tenha um pouco de ego; ela, elegantemente, não se rende a rótulos.
Ao rever as próprias atitudes nas reprises, Gaia reconheceu um traço que a surpreendeu: um lado vittimista que não lhe agrada. Ainda assim, celebra momentos de alegria simples — como pular sobre as fezes das vacas — com uma autenticidade quase carnavalesca. No fim, confessa ter subestimado a fadiga física do programa: “Cheguei ao final realmente estafada. Subestimamos o esforço.”
Participar de Pechino Express foi um presente para a filha: “Ela queria muito. Anos me pediu para partir.” E Gaia, com seu fatalismo sereno, aceitou: “Vivo minha carreira com o espírito do ‘se as coisas têm de acontecer, acontecem’.” Essa postura é, talvez, o fio narrativo que liga o violoncelo ao varano, o palco às estradas poluídas por expectativas — o eco cultural de uma artista que se oferece à experiência e ao público sem deixar de preservar seu núcleo.
Ao acompanhar essa participação, vemos mais do que um reality show: vemos o espelho do nosso tempo, onde a exposição convive com a busca por afeto, onde escolhas alimentares podem se tornar símbolo de resistência e onde a recusa às redes sociais é um gesto de saúde. Gaia De Laurentiis transforma o percurso em pequena performance de honestidade: a viagem não é só geográfica, é um reframe íntimo diante do público.


