Ancelotti renovará com o Brasil e sai da lista para a seleção italiana
Carlo Ancelotti deve renovar com a seleção do Brasil até 2030, saindo da disputa pelo cargo de técnico da Itália; contrato oficial deve sair em breve.
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Ancelotti renovará com o Brasil e sai da lista para a seleção italiana
Por Otávio Marchesini — A possível virada no processo de escolha do próximo técnico da seleção italiana ganhou hoje uma nova dimensão. Nas próximas semanas, Carlo Ancelotti deve assinar a renovação do contrato com a Confederação Brasileira de Futebol, garantindo sua permanência no comando da seleção canarinha até a Copa do Mundo de 2030. Com isso, o nome do treinador de Reggiolo praticamente se afasta da lista de candidatos ao cargo de técnico da Itália.
Fontes ligadas ao processo, reportadas inicialmente pela ESPN, indicam que existe um acordo verbal para um novo vínculo quadrienal. O contrato não prevê aumento do vencimento anual de Ancelotti — hoje o mais bem pago na história da seleção brasileira, com cerca de 10 milhões de euros por ano —, mas contempla a atualização das remunerações dos quatro integrantes de sua comissão técnica.
Segundo apuração, o comunicado oficial sobre o acordo deverá sair antes da divulgação da lista de convocados para os amistosos contra França e Croácia, cuja convocação está prevista para 16 de março. Em seguida, a equipe do Brasil enfrenta a França em Boston, no dia 26 de março, e a Croácia em Orlando, no dia 31 de março, em partidas que servirão de ensaio para o ciclo seguinte.
Com 66 anos, Carlo Ancelotti assumiu o comando da seleção brasileira depois de deixar o Real Madrid, em maio de 2025. O objetivo declarado do técnico é ambicioso e claro: conduzir o Brasil ao sexto título mundial em 2026. O país pentacampeão não ergue a taça desde 2002; o melhor desempenho depois disso foi o quarto lugar em 2014, quando a Copa foi disputada em solo brasileiro.
No trabalho à frente da seleção, os números são ainda um reflexo de uma fase inicial de consolidação: quatro vitórias, dois empates e duas derrotas em oito partidas disputadas desde sua chegada. Paralelamente, Ancelotti trabalha na definição do elenco para o Mundial — um processo que, nas suas palavras, reconhece a profusão de talento disponível. "Na minha primeira coletiva eu disse que o Brasil tem sorte de ter tantos bons jogadores", afirmou o treinador, lembrando que a lista de convocados ainda não é definitiva, embora esteja próxima da versão final.
Do ponto de vista institucional e simbólico, a possível permanência de Ancelotti no comando do Brasil até 2030 tem implicações claras: encerra uma hipótese de retorno do treinador ao futebol italiano em caráter de seleto salvador, ao mesmo tempo em que projeta continuidade tática e de imagem para a seleção sul-americana em um ciclo que abrange duas edições de Copa do Mundo.
Para a Itália, a saída de Ancelotti do leque de alternativas reabre a discussão sobre identidade e projeto de médio prazo — se a federação optará por um nome ligado ao futebol doméstico, por um perfil jovem e formador, ou por um treinador estrangeiro com experiência em grandes palcos. No terreno do futebol, decisões desse tipo são menos sobre heróis e mais sobre arquitetura: clubes, federações e trajetórias que definem rumos coletivos.
No calendário do Mundial de 2026, o Brasil estreia contra o Marrocos em 13 de junho, no que será o pontapé inicial de um grupo que inclui também Escócia e Haiti. A confirmação do contrato servirá para a seleção construir, com mais clareza, as linhas mestras do projeto até a próxima Copa.