Antonio Rossi revela infarto pós-vacina contra a Covid: “Não sou no vax” e fala da recuperação

Antonio Rossi relata infarto após vacina contra a Covid, nega ser 'no vax' e conta recuperação, rotina e memórias do ouro em Atlanta 1996.

Antonio Rossi revela infarto pós-vacina contra a Covid: “Não sou no vax” e fala da recuperação

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Antonio Rossi revela infarto pós-vacina contra a Covid: “Não sou no vax” e fala da recuperação

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia

Uma carreira construída na rigidez do treinamento e na representação nacional — cinco medalhas olímpicas, sete títulos mundiais e 61 nacionais — conviveu, em 2021, com um episódio que reconfigurou a vida pessoal de Antonio Rossi. Em entrevista ao semanal Gente, o três vezes campeão olímpico da canoagem recorda o infarto que sofreu e traça, com sobriedade, a passagem da sala de troféus ao consultório de cardiologia.

“Não me esperava”, confessou Rossi. Apesar de o avô não ter histórico cardíaco, o ex-atleta admite uma hipótese que tem circulado em debates públicos: a relação temporal entre a dose da vacina contra a Covid — tomada três semanas antes — e o aparecimento de trombos. “Talvez a culpa seja da vacina: eu a fiz três semanas antes e depois surgiu que poderia causar trombos. E no meu caso o infarto partiu de um trombo. Mas não sou no vax: eu faria tudo de novo, escreva, por favor”, afirmou.

O impacto não foi apenas físico. Nos meses que seguiram ao evento, Rossi descreve um período de recolhimento: “Depois do infarto eu fiquei mal, me recolhi em casa, não queria nada”. Para atravessar essa crise recorreu a um recurso já conhecido: o acompanhamento psicológico — o mesmo profissional que o acompanhara nos anos de competição de alto nível. Hoje, Rossi diz estar bem, embora viva com as marcas do ocorrido: uma cicatriz no coração, um stent e a rotina diária com cardioaspirina e estatinas. “E isso me incomoda...”, confessa.

O relato mistura a dimensão íntima da doença com a narrativa consagrada de uma carreira. Rossi recorda que, em breve, se celebrarão 30 anos do seu primeiro ouro olímpico — Atlanta 1996 — conquistado no K1 500 m, um título que veio no dia seguinte ao ouro no K2 com Daniele Scarpa. Descreve a memória da prova com a precisão de quem guarda uma sequência de imagens: a excitação ao acordar, a lembrança do ouro em dupla que o motivou, o ritmo alucinado ao remar e a sensação de exaustão ao cruzar a linha de chegada vencedor.

Mesmo fora do ciclo competitivo, Rossi preserva a disciplina física: treina três vezes por semana numa pequena academia em casa, controla a alimentação em uma “dieta perpétua” com poucos carboidratos e muitas proteínas e admite as dificuldades de manter o peso de atleta — quando chegou a ter 7% de gordura corporal, contra 3% do amigo Juri Chechi.

As vitórias trouxeram também visibilidade. Rossi reconhece que a imagem corporal contribuiu para sua popularidade e para o interesse de patrocinadores, lembrando episódios bem-humorados durante ensaios fotográficos. É uma constatação sobre como a cultura esportiva e a mídia moldam ídolos: nem sempre os méritos atléticos são a única plataforma de projeção social.

O depoimento de Rossi ocupa uma interseção pertinente para quem observa o esporte como fenômeno social: há o triunfo, a saúde como vulnerabilidade pública, a medicina preventiva e os dilemas informacionais em torno das vacinas. As suas palavras — firmes ao rejeitar o rótulo de “no vax”, mas cautelosas ao admitir dúvidas — convidam a uma leitura que não se reduz a polarizações, mas que exige atenção às evidências, ao acompanhamento clínico e ao papel das instituições em esclarecer riscos e benefícios.

Até onde vai a responsabilidade individual e até que ponto as narrativas públicas sobre saúde moldam escolhas coletivas? O relato de Antonio Rossi é uma pequena história exemplar: é pessoal, mas remete a debates maiores que atravessam o esporte e a sociedade europeia contemporânea.