Europeus de remo em Varese: Itália soma 9 medalhas, mas deixa dúvidas antes do Mundial de Amsterdã

Itália conquista 9 medalhas nos Europeus de remo em Varese, mas resultados deixam dúvidas antes do Mundial de Amsterdã e da qualificação a Los Angeles.

Europeus de remo em Varese: Itália soma 9 medalhas, mas deixa dúvidas antes do Mundial de Amsterdã

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Europeus de remo em Varese: Itália soma 9 medalhas, mas deixa dúvidas antes do Mundial de Amsterdã

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia

Os Europeus de canotaggio realizados em Varese, na Schiranna, deixaram um saldo ambivalente para a Itália: nove medalhas no total e duas vitórias, mas estas vieram em provas que já não fazem parte do programa olímpico — os doubles de pesos-leves. O resultado traz ao mesmo tempo sinais de vitalidade e uma série de perguntas sobre a capacidade da seleção de transformar bom desempenho em segurança rumo ao ciclo olímpico.

Mais do que um quadro de celebração, o campeonato teve momentos que soaram como um comício de alerta: a surpreendente exclusão do quatro di coppia da final — uma embarcação em que a Itália vinha impondo escola e tradição nos últimos anos — resume bem o clima. Rossano Galtarossa, figura-símbolo do remo italiano e hoje presidente da federação, resumiu com a frieza de sempre: “O Mundial de Amsterdã (daqui a cerca de vinte dias) nos dirá qual é o nosso estado de saúde, a meio do caminho para Los Angeles, com a primeira etapa de qualificação fundamental prevista para os Mundiais de 2027 em Lucerna”. A fala conjuga otimismo cauteloso e realismo, como só um ex-atleta com trajetória longa poderia fazer.

Do ponto de vista das provas, as medanhas de bronze vieram sobretudo pelas amiraglie — os grandes barcos. No oito masculino, a esquadra italiana composta por Luca Chiumento, Salvatore Monfrecola, Giovanni Abagnale, Matteo Sartori, Leonardo Pietra Caprina, Andrea Panizza, Nunzio Di Colandrea e Giuseppe Vicino, com a timoneira Alessandra Faella, terminou atrás de Romênia e Alemanha. Foi uma regata de personalidade: os italianos resistiram à pressão de Polônia e dos Atletas Independentes Neutros no meio do percurso, ficando a menos de três segundos dos alemães no final.

O oito feminino também confirmou a consistência do movimento: Clara Guerra, Sophie Souwer (chamada de última hora para substituir a lesionada Alice Gnatta), Angelica Merlini, Giorgia Pelacchi, Silvia Terrazzi, Elisa Mondelli, Laura Meriano e Alice Codato, com o timoneiro Emanuele Capponi, fizeram uma prova sólida e ficaram a apenas dois segundos das inglesas — que, por sua vez, acabaram em segundo lugar atrás da Romênia. É já o quarto bronze consecutivo da Itália no oito feminino nos Europeus, um indicador de profundidade e estabilidade do setor.

No paralímpico, Giacomo Perini subiu ao pódio com a prata no singolo PR1, melhorando o bronze obtido em Plovdiv 2025 e mantendo-se competitivo frente ao britânico Benjamin Pritchard, campeão mundial e ouro em Paris-2024. Entre as provas não olímpicas, destaque para o bronze do double misto de Niels Torree e Sophie Souwer.

Houve também resultados de proximidade: o oito misto terminou em quarto lugar, mostrando potencial mas faltando ainda aquela regularidade necessária para as provas de alto impacto. Em suma, o quadro que emerge de Varese é o de uma seleção com talento e tradição — elementos que historicamente sustentaram a Itália no remo —, mas que passa agora por um momento de reavaliação técnica e tática antes de compromissos maiores que definirão presença e ambições em Los Angeles.

O veredito final ficará para Amsterdã: se os Europeus foram um exame com notas mistas, o Mundial aparece como a chance de transformar incertezas em confirmações. Para um país que construiu parte de sua identidade esportiva nas águas, reconhecer fragilidades é condição necessária para manter a liderança e renovar um ciclo com olhos abertos à evolução do esporte.