Europeus de Voleibol Feminino 2026: a Itália de Velasco parte em busca da 'Tripla Corona'
Itália de Velasco estreia nos Europeus de voleibol feminino 2026 buscando a 'Tripla Corona' e a vaga direta para Los Angeles 2028.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Europeus de Voleibol Feminino 2026: a Itália de Velasco parte em busca da 'Tripla Corona'
Por Otávio Marchesini — A partir de hoje, 21 de agosto, e até 6 de setembro, disputam-se os Europeus de voleibol feminino 2026, cuja fase final será repartida entre quatro sedes: Istambul (Turquia), Brno (República Tcheca), Gotemburgo (Suécia) e Baku (Azerbaijão). No centro da narrativa está a seleção Itália de Julio Velasco, que procura o único título que falta para completar uma trajetória recente já marcada por Olimpíadas e Mundiais — a chamada Tripla Corona.
As azzurre estreiam hoje, às 16h, em Gotemburgo, diante da Croácia. Inserida no Grupo D, a equipe italiana enfrentará também Montenegro (sábado), a anfitriã Suécia (domingo), a Eslováquia (terça) e a França (quarta). As quatro primeiras colocadas seguem para as oitavas de final: objetivo claro desde o sorteio é terminar na liderança para preservar forças e modelos táticos rumo às fases eliminatórias.
No plano esportivo imediato, o adversário mais exigente parece ser a Suécia, beneficiada pelo fator casa, seguida pela França, que pode ser um teste físico e tático. Croácia, Montenegro e Eslováquia aparecem, no papel, com potencial inferior — condição que convida à prudência: o torneio europeu já mostrou que estabilidade e leitura de jogo superam favoritismos escritos.
Velasco escolheu a pausa entre competições para experimentar. A seleção não é exatamente a mesma que dominou os dois grandes ciclos anteriores; mudanças foram introduzidas com a intenção de renovar equilíbrios e ampliar repertório tático. Na Nations League 2026, a Itália terminou em terceiro lugar — eliminada pelo Brasil na semi e vencedora sobre a China na disputa pelo bronze — um resultado que indicou força, mas também espaço para ajustes.
O ajuste mais relevante para a campanha continental é a readaptação de Ekaterina Antropova como pontadora, consequência direta do problema físico que afastou Loveth Omoruyi. A alternativa visa viabilizar a convivência em quadra com Paola Egonu, preservando o poder de fogo ofensivo sem sacrificar a profundidade tática do elenco. É um movimento que traduz a leitura de Velasco sobre o tempo: renovar sem romper a estrutura vencedora.
Do outro lado do mapa competitivo, a Turquia — treinada por Daniele Santarelli — surge como a principal rival. Atual campeã europeia e vencedora recente da Nations League 2026, a turca mantém um elenco robusto e uma leitura de jogo agressiva. Ainda assim, a Itália chega com uma sequência positiva contra as turcas, inclusive com a vitória na final do Mundial de 2025. O sorteio reserva a possibilidade de um encontro já na semifinal, o que transformaria o fator campo em elemento decisivo.
Para além dos resultados, o que está em jogo é a dimensão simbólica: o título continental seria a confirmação de um ciclo que atravessa gerações e se afirma como referência técnica e cultural no voleibol europeu. Estádios, seleções e técnicos convertem-se em instrumentos de memória coletiva; cada vitória reforça uma narrativa nacional sobre persistência, organização e talento.
Hoje, às 16h em Gotemburgo, começa a busca italiana por um pedaço dessa história. A tarefa é esportiva, mas também identitária — e, como todo grande desafio, exige equilíbrio entre tradição e invenção.

