Funerais de Alex Zanardi em Pádua reúnem milhares na chuva; a handbike presente no altar

Milhares despedem Alex Zanardi em Pádua; handbike sobre o altar e cerimônia marcada por aplausos, autoridades e depoimentos emocionados.

Funerais de Alex Zanardi em Pádua reúnem milhares na chuva; a handbike presente no altar

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Funerais de Alex Zanardi em Pádua reúnem milhares na chuva; a handbike presente no altar

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A despedida de Alex Zanardi transformou-se, nesta terça-feira, em um rito coletivo que mesclou luto, memória esportiva e simbolismo. Mais de duas mil pessoas ocuparam a Basílica de Santa Giustina, em Pádua, desde as primeiras horas do dia, e uma pequena multidão aguardou sob chuva no Prato della Valle para saudar o cortejo fúnebre.

O caixão com a barba branca de Zanardi chegou às 11h, precedido por um cortejo aberto pelos atletas de Obiettivo3 e encerrado pelos familiares. Ao lado do féretro, sobre o altar, foi colocada a sua handbike — um emblema que, mais que um objeto, representou a trajetória de reinvenção e desafio que o atleta bolognês encarnou nas últimas décadas.

Entre as presenças notáveis estiveram o cantor Gianni Morandi, a campeã paralímpica Bebe Vio acompanhada do então presidente do CONI, Giovanni Malagò, o esquiador Alberto Tomba e o prefeito de Bolonha, Matteo Lepore. Também compareceram autoridades como o ministro do Esporte, Abodi, o presidente do Vêneto, Alberto Stefani, e o presidente do Conselho Regional do Vêneto, Luca Zaia. A chegada ao Prato della Valle foi marcada por aplausos longos e sucessivos, repetidos na nave da basílica.

O rito religioso foi conduzido por don Marco Pozza, pároco do cárcere Due Palazzi de Pádua e amigo pessoal de Zanardi. Em um tom que alternou lembrança íntima e reflexão pública, don Pozza disse: “Sou orgulhoso de ter tido um amigo como Alex. Não me ajudou a ser um padre melhor, mas ajudou-me a ser um homem melhor — e isso é o que importa”.

Na homilia, o padre usou imagens que misturaram ironia e ternura: falou da morte como uma entidade que “achou que tinha vencido, mas não fez as contas certas” e recordou como a alma de Zanardi escapou, deixando o corpo. Citou ainda a proximidade de Zanardi com os jovens de Obiettivo3 e a sua capacidade de “abrir portas”, lembrando a preferência do atleta — descrita ao longo da vida — por se manter desafiador e generoso.

Don Pozza concluiu com uma frase que sintetizou a cerimônia: “Ciao Alex, faça boa viagem”, saudação que recebeu um longo aplauso dentro e fora da basílica. Também evocou a famosa “regra dos cinco segundos” que Zanardi repetia quando falava de resistência nos momentos críticos: uma metáfora para a obstinação diante do limite.

O que ficou, além da chuva e das flores, foi uma imagem que transcende o resultado esportivo: a handbike no altar, símbolo de um percurso que converteu dor em exemplo público. Para a cidade de Pádua, para o movimento paralímpico e para a Itália esportiva em geral, a despedida de Alex Zanardi reafirmou a dimensão coletiva do mito — um legado que desafia a induvidualização das glórias e reclama memória, responsabilidade e continuidade.