Conte: técnico da seleção precisa de um projeto claro e apoiado sem 'ses' nem 'mas'
Conte pede projeto claro e apoio mútuo para o técnico da seleção: "sem 'ses' e sem 'mas'"; ele afirma não ter sido contatado por Malagò e Maldini.
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Conte: técnico da seleção precisa de um projeto claro e apoiado sem 'ses' nem 'mas'
Antonio Conte, figura recorrente nas listas de possíveis candidatos à condução da seleção italiana, reafirmou nesta segunda-feira que não foi contatado pela nova direção da FIGC. Em declarações no estúdio da DAZN, no pré-jogo da final da Copa do Mundo, o treinador — que comandou a Itália entre 2014 e 2016 — destacou a necessidade de um projeto para o ct azzurro que seja integralmente partilhado pelas partes envolvidas: sem ambiguidades, sem "ses" e sem "mas".
Conte disse que está aproveitando um período de descanso e convivência familiar depois de dois anos "intensos e belíssimos" à frente do Napoli. Ainda assim, como ex-técnico da seleção, sentiu-se na obrigação de traçar uma indicação em um momento decisivo: a visita anunciada de Giovanni Malagò e Paolo Maldini à assembleia da Lega Serie A, marcada para quinta-feira.
"A coisa mais importante, na escolha do treinador, é a concordância", advertiu Conte. "Foram pessoas de valor que chegaram. Agora, qualquer decisão sobre o treinador precisa ser abraçada sem 'ses' e sem 'mas', por ambas as partes". O comentário ecoa a linha defendida por Malagò — pessoa de reconhecido peso institucional após sua trajetória no CONI — e reforça a expectativa colocada sobre Maldini, cuja transição de jogador para dirigente no Milan tem sido avaliada positivamente.
Ao lembrar o perfil de Maldini — "foi o mais forte zagueiro italiano, pessoa de valor" — Conte sublinhou que a entrada do ex-craque nos mecanismos decisórios do futebol italiano é natural e que sua presença evita o risco de isolamento da alta competência do clube no âmbito federativo. Para Conte, o essencial é que a futura escolha técnica seja seguida por um projeto de longo prazo, um plano que combine estratégia esportiva, calendário de formação e relação clara entre clube e seleção.
O recado de Conte, ao mesmo tempo pessoal e institucional, tem nuances históricas. Como técnico que já experimentou a pressão de ocupar a panchina azzurra e, mais recentemente, conduziu um clube a resultados expressivos, ele lembra que a eficácia de um treinador nacional depende menos de prestígio individual e mais de respaldo coletivo: diretoria, federação, clubes e torcida. A exigência por um "projeto sem ambivalências" responde a lições do passado, quando decisões fragmentadas comprometeram continuidade e desempenho.
Em termos práticos, a mensagem chega em momento de transição: a FIGC ainda estrutura o novo corpo dirigente e debate as prioridades esportivas para o ciclo que se inicia após o Mundial. A posição de Conte funciona como um lembrete de que, para recuperar ou consolidar um projeto futebolístico nacional, é imprescindível alinhar objetivos, método e paciência institucional — e que o nome do treinador, por mais relevante que seja, só terá sentido dentro dessa arquitetura.
Como observador das dinâmicas que movem o futebol italiano, penso que a insistência de Conte na "condivisione" não é apenas um apelo técnico, mas uma proposta política. Projetos duradouros nascem do acordo entre atores: sem isso, mesmo as figuras mais carismáticas encontram limites. Na Itália, onde clubes e representações nacionais frequentemente disputam narrativas e prioridades, a fala de Conte é um convite à construção coletiva — e um aviso: sem coesão, não há estratégia que resista.