Crise na FIGC: Reunião de emergência define futuro de Gravina e abre caminho para eleições ou commissariamento

Reunião de emergência na FIGC define futuro de Gravina entre eleições e risco de commissariamento; cenário político e estatutário em jogo.

Crise na FIGC: Reunião de emergência define futuro de Gravina e abre caminho para eleições ou commissariamento

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Crise na FIGC: Reunião de emergência define futuro de Gravina e abre caminho para eleições ou commissariamento

Pouco após as 14h30, teve início na sede da FIGC, em Via Allegri, a reunião de emergência convocada pelo presidente Gabriele Gravina. O encontro foi marcado pela gravidade do momento: a eliminação da Itália pelo confronto com a Bósnia, que deixa a seleção fora do Mundial pela terceira edição consecutiva e impõe uma revisão profunda das estruturas do futebol italiano.

Na mesa estiveram as principais componentes do sistema: Ezio Maria Simonelli (presidente da Lega Serie A), Paolo Bedin (Lega Serie B), Matteo Marani (Lega Pro), Giancarlo Abete (Lega Dilettanti), Umberto Calcagno (Assocalciatori) e Renzo Ulivieri (Assoallenatori). A pauta não poderia ser mais direta: o futuro do futebol nacional e, inevitavelmente, o do próprio Gabriele Gravina.

A estratégia que circula nos bastidores, segundo fontes próximas à direção federativa, é a convocação imediata de novas eleições, possivelmente já em julho — fala-se do dia 2. A manobra política permitiria a Gravina, reeleito há cerca de 14 meses com quase 99% dos votos das componentes, atuar como um verdadeiro kingmaker de seu provável sucessor. O nome ventilado para essa transição é o de Giancarlo Abete, 75 anos, figura conhecida da casa e atual presidente da Lega Dilettanti.

Abete já presidiu a federação no passado e deixou o cargo após a eliminação no primeiro turno do último Mundial em que a Itália participou, há 12 anos. A sua eventual ascensão seria lida, por muitos observadores, como uma renovação de fachada: mudar para que, essencialmente, nada mude — uma solução conservadora que preserva os equilíbrios internos do futebol italiano.

Ao mesmo tempo, forças do governo e do Ministério do Esporte estariam inclinadas para uma solução radical: o commissariamento da federação. Fontes indicam que o ex-presidente da Lega Serie A, Umberto Abodi, conseguiu, em conversas políticas, obter o apoio da primeira-ministra para essa via. Contudo, a margem de manobra não é ampla: o estatuto do CONI permite intervenção apenas em casos concretos de irregularidades graves — falhas administrativas, amanhcos nas contas, paralisação de campeonatos ou bloqueio do funcionamento dos órgãos federativos.

Gravina entrou na sede e participou da reunião sem declarações públicas. O clima é de tensão institucional e de urgência estratégica: restaurar credibilidade, redesenhar a governança e preparar a base para um novo ciclo que recupere a legitimidade do futebol perante torcedores, clubes e instituições.

O presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, em entrevista recente, lembrou que a natureza pública do organismo impõe afastamento de paixões e estrita observância ao estatuto. Segundo ele, o CONI pode efetivar um commissariamento quando existirem omissões graves — por exemplo, quando os números das contas não fecham, quando há prejuízos comprovados ou quando os órgãos deixam de funcionar com normalidade — e não como resposta a uma mera crise esportiva.

O encontro convocado por Gabriele Gravina representa, portanto, um ponto de inflexão: não apenas sobre quem estará à frente da FIGC, mas sobre o modelo de governança que o futebol italiano escolherá para reagir a uma derrota que tem ramificações esportivas, culturais e políticas. A discussão que se abre é menos sobre nomes do que sobre a capacidade do sistema de se renovar e de recuperar um projeto coletivo para o futuro da seleção e das competições nacionais.