Irã confirma presença na Copa do Mundo 2026 e apresenta 10 exigências à FIFA em negociação na Turquia

Irã confirma ida à Copa do Mundo 2026 e entrega 10 exigências à FIFA; disputa sobre vistos e proibição de bandeiras arco-íris é o epicentro do impasse.

Irã confirma presença na Copa do Mundo 2026 e apresenta 10 exigências à FIFA em negociação na Turquia

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Irã confirma presença na Copa do Mundo 2026 e apresenta 10 exigências à FIFA em negociação na Turquia

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia

Qualquer hipótese de retirada do Irã da Copa do Mundo 2026 parece hoje distante. As imagens em foco provenientes de Teerã e as declarações oficiais desmentem boatos: a seleção iraniana parte rumo ao Mundial e o aparato estatal promove uma mobilização simbólica em torno do evento. Na quarta-feira à noite, em praça Enghelab, ao sul da capital, a delegação foi despedida por milhares de torcedores que acenaram bandeiras e entoaram cânticos hostis aos Estados Unidos e a Israel. Jogadores, comissão técnica e dirigentes subiram ao palco em meio a um dilúvio de fotos e selfies, em cena que mistura ritual esportivo e demonstração política.

No plano diplomático, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, usou sua conta em X para enviar um recado à FIFA e aos governos: hospedar a Copa implica na obrigação de garantir uma participação justa, respeitosa e não discriminatória a todas as seleções classificadas. Nesse sentido, listou requisitos que vão do acesso com vistos a condições de alojamento e deslocamento, invocando que logística e autorização de entrada não possam se transformar em instrumentos de pressão política.

Em Ancara, onde se desenrola a negociação com o órgão máximo do futebol, a federação iraniana entregou um documento com dez pedidos formais para assegurar a participação da equipe no torneio. Entre os pontos mais sensíveis está a exigência de controle sobre a presença de símbolos nos estádios: o Irã solicita a proibição da entrada de bandeiras arco-íris nas partidas em que atuar sua seleção, tema que coloca a FIFA num dilema, pois a entidade tem defendido historicamente os direitos das comunidades LGBTQ+.

Outro nó central é o das autorizações de entrada para membros da delegação iraniana com ligações às Guardas Revolucionárias. Autoridades como o presidente da federação, Mehdi Taj, já tiveram sua entrada previamente recusada — como ocorreu no Canadá em abril, quando a delegação foi impedida de participar do congresso da FIFA em Vancouver. Uma solução negociada para os vistos poderia ser viável, mas confrontaria a postura de firmeza adotada por autoridades norte-americanas e canadenses, citadas no debate público.

O calendário aproxima-se: faltam poucas semanas para o pontapé inicial, em 11 de junho, e a questão iraniana exige resolução rápida. A seleção treinada por Amir Ghalenoei tem as primeiras partidas marcadas em Los Angeles — no dia 15 de junho enfrenta a Nova Zelândia; em seguida jogará em 21 de junho. A presença do Irã no Mundial será mais do que um fato esportivo: será um gesto de afirmação cultural e política, refletindo tensões entre soberania, diáspora e direitos universais. Para os organizadores, a prova será equilibrar praticidade logística, princípios de inclusão e pressões diplomáticas, sem transformar os estádios em palcos exclusivos de batalhas externas.

Do ponto de vista histórico, a situação confirma como o futebol contemporâneo continua a ser terreno onde se cruzam identidades nacionais, políticas externas e narrativas simbólicas. O desfecho destas negociações terá impacto não só sobre a participação do Irã em campo, mas também sobre a capacidade da governança esportiva internacional de arbitrar conflitos que ultrapassam a esfera meramente atlética.