Mancini pode voltar à Nazionale: decisão condicionada à eleição de Malagò na FIGC

Retorno de Mancini à Nazionale depende da eleição de Malagò à FIGC e de pareceres jurídicos; proposta prevê contrato até 2030 com corte salarial.

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Mancini pode voltar à Nazionale: decisão condicionada à eleição de Malagò na FIGC

No futebol italiano, as histórias de afeto entre treinadores e seleções frequentemente descrevem arcos longos: afastamento, reflexão e, às vezes, retorno. É nesse movimento circular que reaparece, com força renovada, o nome de Roberto Mancini nas imediações da Nazionale. O possível regresso não é apenas um capricho midiático, mas um projeto Burocrático e estratégico cuja efetivação está diretamente vinculada à eleição de Giovanni Malagò para a presidência da FIGC, prevista para 22 de junho.

O laço entre Malagò e Mancini não se reduz a cordialidade protocolar: construiu‑se ao longo de anos uma relação de estima mútua que, segundo interlocutores próximos, transformou‑se em convergência de visões sobre a reinvenção técnica do futebol italiano. A leitura do cenário por parte do ex‑presidente do CONI é cristalina: Mancini reuniria autoridade e familiaridade com o ecossistema da seleção para liderar uma virada identitária.

Do lado do treinador, o interesse parece concreto. Há relatos de um acordo de princípio para um vínculo quadrienal — até 2030 — com remuneração estimada em torno de 2 milhões de euros por temporada. Trata‑se de uma redução substancial em relação ao que Mancini auferia no Al‑Sadd, clube catariano do qual saiu após conquistar o campeonato, e onde o seu salário aproximava‑se dos 8 milhões de euros anuais. A disposição a aceitar um corte salarial ilustra, em termos simbólicos e práticos, o apelo de retorno a Coverciano e a vontade de resgatar um caminho interrompido de forma conturbada em 2023.

Esse sacrifício financeiro também foi fator decisivo para que o nome do técnico prevalecesse sobre outras candidaturas de peso, como as de Antonio Conte e Silvio Baldini: a opção por Mancini aparece como a mais sustentável para as finanças federais e a mais coerente com uma ideia de continuidade técnica.

Contudo, antes das fotos institucionais e dos apertos de mão, há duas etapas a superar. A primeira é o veredito nas urnas de 22 de junho. A segunda, igualmente relevante, tem caráter jurídico‑administrativo. A corrida de Malagò à via Allegri atraiu a atenção do ministro do Esporte, Andrea Abodi, que requisitou pareceres formais ao ANAC e ao CONI para examinar possíveis incompatibilidades ligadas às normas sobre pantouflage.

Malagò mantém serenidade pública e confiança na regularidade da sua candidatura, mas o cenário só será desbloqueado com o aval jurídico e a vitória eleitoral frente a adversários como Giancarlo Abete. Se as peças institucionais e políticas se alinharem, o que a imprensa já chama de “Mancini Bis” poderá começar a delinear um novo capítulo do futebol italiano.

Resta, porém, uma pergunta que ultrapassa o pragmatismo contratual: será que este reatar conseguirá apagar as máculas do término turbulento de 2023 e devolver ao projeto da Nazionale uma narrativa de renovação genuína, ou estará simplesmente reciclando memórias — as famosas “minestre riscaldate” — com menos sabor do que o imaginado? Mais do que uma troca de cargos, trata‑se de uma aposta sobre identidade coletiva, prioridades esportivas e a capacidade de instituições e figuras de produzir coerência histórica.