Silvio Baldini assume a seleção interina: A Itália em trânsito até o novo técnico

Silvio Baldini assume como técnico interino da Itália; duas partidas em junho e caminho até a Nations League sob lógica de continuidade.

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Silvio Baldini assume a seleção interina: A Itália em trânsito até o novo técnico

A Itália volta a campo em menos de dois meses: na quarta-feira, 3 de junho (20h45), os Azzurri enfrentarão o Luxemburgo no Stade de Luxembourg, e no domingo, 7 de junho (20h45), farão um amistoso no Pankritio Stadium, em Cândia, na ilha de Creta, contra a Grécia. Para essas duas partidas de preparação, a Federação decidiu confiar a direção da equipe a Silvio Baldini, técnico da Nazionale Sub-21, que comandará a seleção com seu próprio staff.

Nascido em Massa, em 1958, Baldini traz na bagagem uma longa trajetória pelos campeonatos italianos — Série A, B e C — e um histórico de promoções: conduziu o Empoli da B à A e levou Palermo e Pescara da C à B. Reconhecido no ambiente do futebol nacional por um caráter firme, ideias claras e uma relação direta com os jogadores, Baldini representa uma concepção identitária do ofício de treinador: não apenas organização tática, mas uma leitura do clube e da nação que se reflete em campo.

O retrospecto histórico com os futuros adversários é cómodo para os italianos: contra o Luxemburgo, os Azzurri venceram oito dos nove confrontos disputados — o único empate foi 1 a 1, com gols de Marchisio e Chanot, em 4 de junho de 2014, em Perugia, no amistoso que precedeu a viagem da seleção ao Mundial do Brasil. Em relação à Grécia, o duelo em Creta será o primeiro no local, mas o confronto entre as seleções soma 11 partidas, com um saldo de sete vitórias italianas, três empates e apenas uma derrota. O encontro mais recente entre as equipes data de 12 de outubro de 2019, quando, no Estádio Olímpico de Roma e diante de 56.000 torcedores, a Itália venceu por 2 a 0 com gols de Jorginho e Bernardeschi, assegurando a qualificação ao Campeonato Europeu com antecedência.

Para além destes amistosos, o calendário competitivo se aproxima: em setembro começa a quinta edição da UEFA Nations League. Inserida no Grupo 1 da Liga A com França, Bélgica e Turquia, a seleção italiana estreia em casa na sexta-feira, 25 de setembro, diante dos Diabos Vermelhos, visita a Turquia na segunda-feira, 28 de setembro, e encara a França na sexta-feira, 2 de outubro. A primeira janela das seleções, que trará quatro compromissos em 11 dias, será fechada em 5 de outubro com outro jogo contra a Turquia, em solo italiano. Em novembro, a programação prevê um encontro em casa com os franceses e, posteriormente, a viagem à Bélgica para o último desafio do grupo.

A escolha de apostar em Baldini como nome de transição obedece a critérios pragmáticos: continuidade e contenção de riscos. A Federação precisa, antes de tudo, cumprir o calendário das partidas, desenhar convocações coerentes e preservar um mínimo de projeto tático — tudo sem reduzir os amistosos a meros ensaios improvisados. Em suma, trata-se de garantir estabilidade institucional e de jogo enquanto se define o próximo treinador permanente.

Do ponto de vista mais amplo, a nomeação de um técnico identificado com formação e tradições nacionais — e com carreira consolidada nas divisões inferiores e médias do país — evidencia também uma leitura cultural do futebol italiano: em períodos de transição, recorre-se a figuras que conhecem as estruturas locais, valorizam a trajetória dos atletas e podem gerir as tensões simbólicas que acompanham a camisa da Nazionale. Baldini, portanto, não é apenas um técnico interino; é um guardião provisório de um projeto que a Itália deseja preservar até a escolha definitiva do novo comandante.