Solet tem acusação de violência sexual arquivada; transferência para o Inter ganha força
Arquivado o caso contra Oumar Solet; investigação conclui insuficiência de provas e aproxima o zagueiro de uma transferência ao Inter.
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Solet tem acusação de violência sexual arquivada; transferência para o Inter ganha força
O juiz perito do Tribunal de Udine decretou o arquivamento da investigação que acusava Oumar Solet de violência sexual. A decisão, tomada após a análise do pedido da Procuradoria, chegou no final da semana passada e marca um ponto de inflexão na carreira do zagueiro francês, que depois de dois anos no Udinese vê o seu possível ingresso no Inter tornar-se cada vez mais provável.
Os defensores do jogador, Filippo Morlacchini e Stefano Laporta, expressaram "viva satisfação" com um resultado que qualificaram como amplamente liberatório. O inquérito teve origem numa denúncia apresentada por uma mulher depois de uma noite de maio de 2025 que terminou na residência do atleta. A denunciante alegou ter sofrido atos sexuais em um estado de alteração que a impedira de exercer plena autodeterminação.
Desde fevereiro passado a Procuradoria de Udine havia já manifestado que os elementos reunidos não eram suficientes para sustentar um pedido de julgamento pela hipótese de violência sexual. A ofendida, por meio de seu advogado, chegou a opor-se à arquivação, solicitando novas diligências; posteriormente, contudo, retirou a queixa e renunciou à oposição.
Ao analisar o processo, o juiz confirmou a linha do Ministério Público: os elementos colhidos não permitem uma previsibilidade razoável de condenação e, portanto, nenhum encaminhamento para julgamento. No despacho o magistrado observa que é incontroverso que naquela noite a mulher consumiu bebidas alcoólicas e que houve relações sexuais. Não se conseguiu, porém, demonstrar que esses atos decorreram de violência, ameaça ou qualquer compressão capaz de anular sua liberdade de escolha.
As testemunhas ouvidas no inquérito, segundo o juiz, afastam comportamentos violentos ou intimidatórios destinados a obter relações contra a vontade da mulher. Alguns sinais observados no corpo da denunciante foram considerados não decisivos, por serem compatíveis também com relações consensuais e sem possibilidade de associação inequívoca aos fatos investigados.
Houve ainda um ramo de investigação relativo à possível administração de drogas. As análises toxicológicas descartaram a presença de substâncias, inclusive do GBL, frequentemente associadas aos chamados "estupros químicos". Restou, portanto, o tema do consumo de álcool, que, conforme relatos, teria ocorrido de forma voluntária. As imagens coletadas no inquérito foram avaliadas como incompatíveis com um quadro de inconsciência total.
Do ponto de vista esportivo, várias grandes equipes, entre elas o Inter, aguardavam o desfecho judicial para decidir acerca de um possível assédio ao Udinese. A proximidade do término contratual, marcado para 2027, acrescenta urgência à operação. A decisão judicial, ao confirmar a ausência de elementos suficientes para o prosseguimento penal, tende a facilitar as negociações, mas deixa em aberto as dimensões reputacionais e de gestão de risco que os clubes terão de avaliar.
Como analista, vejo neste episódio a reafirmação de duas urgências no esporte moderno: a necessidade de mecanismos processuais céleres e confiáveis para apurar alegações sensíveis e a obrigação dos clubes em conjugar presunção de inocência com diligência reputacional. A trajetória de um atleta não se decide apenas no mercado; decide-se também no tribunal da opinião pública e nas instituições que regulam o jogo.