Gravina se afasta da presidência da FIGC: reações de Capello, Ulivieri e Calcagno e o desafio de renovar o futebol italiano
Gravina renuncia à presidência da FIGC; Capello, Ulivieri e Calcagno reagem e pedem reformas para valorizar jogadores italianos.
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Gravina se afasta da presidência da FIGC: reações de Capello, Ulivieri e Calcagno e o desafio de renovar o futebol italiano
Por Otávio Marchesini — A inesperada, embora prevista por muitos, decisão de Gravina de apresentar sua demissão da presidência da FIGC abre uma fase de incertezas e reflexões institucionais no futebol italiano. Aos olhos da história esportiva do país, trata-se de um ponto de inflexão que conjuga responsabilidade pessoal, pressões externas e o descompasso entre estruturas federativas e necessidades do jogo nacional.
O ex-técnico e observador atento das dinâmicas do futebol, Fabio Capello, resumiu com sobriedade o entendimento que prevaleceu entre os dirigentes e técnicos: Gravina "se comportou corretamente" ao apresentar sua saída. Para Capello, o gesto não carrega carga inovadora por si só — "ele apresentou as cartas, foram aceitas" — mas correspondeu ao esperado diante da conjuntura. Essa avaliação pública sintetiza o que muitos já vinham interpretando nos bastidores: a demissão não surpreende tanto pelo ato em si, mas pelo reconhecimento da crise.
Do ponto de vista das estruturas representativas, o presidente dos treinadores, Renzo Ulivieri, descreveu a reunião das componentes da FIGC como "muito triste e muito tranquila". Ulivieri recordou que as dificuldades que levaram ao desfecho não nasceram agora — "estamos em dificuldade desde 2006" — e que o encerramento do ciclo de Gravina representa, além de um episódio político, uma perda pessoal e institucional. As eleições marcadas para 22 de junho abrem um calendário formal, mas, segundo Ulivieri, ainda é cedo para falar em nomes: há 90 dias para avaliar caminhos e propostas.
No mesmo tom de prudência, a voz dos jogadores, por meio do presidente da Assocalciatori, Umberto Calcagno, buscou transformar desapontamento em um impulso de reforma. Calcagno destacou que é preciso aproveitar o momento para debater um tema recurrente: os italianos jogam pouco no futebol do país. Segundo ele, a FIGC carece de instrumentos jurídicos para impor mudanças na utilização de atletas locais, e espera-se que a política intervenha com normas que estimulem e protejam a presença de jogadores italianos em campo.
Sobre o futuro técnico da seleção, a sorte de Gattuso permanece indeterminada: não houve decisões tomadas e, conforme as lideranças, não se discutiu um sucessor imediato para Gravina. A orientação comum é transformar a delusão em energia construtiva, buscando uma figura que saiba recuar estrategicamente e dar espaço a um projeto de reconstrução.
Mais que um episódio de lideranças, a saída de Gravina expõe a crise de projeto do futebol italiano: centros de formação, regras de mercado, instrumentos jurídicos da federação e a relação com a política. O desafio que se abre não é apenas eleger um nome para a presidência, mas desenhar uma direção capaz de recuperar competitividade, cultivar talentos locais e reconciliar interesses regionais e nacionais.
Em suma, a demissão marca o fim de um capítulo e o começo de outro — menos mediático do que estrutural. Cabe agora às instituições, clubes e atores sociais traduzir a atitude política em reformas práticas que revertam um declínio que, como lembrado por Ulivieri, vem de longe.