Gravina não renuncia após eliminação da Itália: reflexões serão decididas pelo Conselho Federal

Gravina rejeita renúncia após eliminação da Itália; decisões serão tomadas no Conselho Federal. Gattuso e Buffon foram convidados a permanecer.

Gravina não renuncia após eliminação da Itália: reflexões serão decididas pelo Conselho Federal

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Gravina não renuncia após eliminação da Itália: reflexões serão decididas pelo Conselho Federal

Gabriele Gravina, presidente da FIGC, descartou a saída imediata após a eliminação da Itália diante da Bósnia, que custou à seleção a vaga para o próximo Mundial — um revés que o dirigente classificou como momento para reflexão institucional, não para gestos individuais. Em entrevista coletiva, Gravina reafirmou que as decisões cabem ao Conselho Federal, convocado para avaliar os desdobramentos esportivos e políticos do fracasso.

Em tom sóbrio, o presidente elogiou a evolução do grupo: "Faço os cumprimentos aos rapazes pelo crescimento destes meses. Devo elogiar o trabalho de Rino Gattuso, é um grande treinador". Gravina disse ainda que pediu a Gattuso e a Gigi Buffon que permaneçam na condução técnica e institucional da equipe jovem, enquanto a federação prepara um balanço mais amplo.

Ao se posicionar contra um pedido público de renúncia, Gravina situou a discussão no foro apropriado: "Faremos reflexões aprofundadas, existe uma sede deputada que é o Conselho Federal". Rejeitou, portanto, a ideia de decisões imediatas e unilaterais, argumentando que a responsabilidade política e as medidas corretivas dependem de um processo colegiado.

O presidente não furtou-se à autocrítica: "Estamos em crise, a responsabilidade objetiva é minha porque represento a federação". No entanto, apontou fatores estruturais que, segundo ele, exigem a intervenção do Estado e do mundo político. Gravina reclamou do "bloqueio de normativas e regras" que limitariam a capacidade de tomar decisões próprias, defendendo que algumas mudanças só poderão ocorrer com uma ação mais ampla e coordenada.

Na sua leitura, o futebol profissional deve ser analisado de maneira distinta de modalidades amadoras: "O futebol é um esporte profissional, outros esportes são amadores e devemos também fazer um relatório com base na equidade" — citando, inclusive, esportes como o esqui, considerados de interesse público por sua natureza e financiamento.

Do lado da equipe, Gigi Buffon, chefe de delegação, confirmou uma postura de continuidade temporária: "Até junho é correto colocar à disposição a minha permanência, pela confiança que a federação demonstrou em mim". Buffon admitiu que a falha na qualificação "dói" e pode provocar leituras equivocadas se reagida de forma impulsiva.

Mais do que um apelo por nomes, a fala de Gravina traduz uma posição institucional: transformar um insucesso esportivo em agenda de reformas que envolva clubes, federação e atores políticos. Para quem observa o esporte como tecido social e cultural — e não apenas pontuação — a passagem da seleção por esse momento pede, antes de tudo, diagnóstico e projetos de médio e longo prazo. A saída fácil, disse em entrelinhas o presidente, seria trocar protagonistas sem tocar as causas.

Resta agora ao Conselho Federal decidir os passos subsequentes. A sociedade futebolística italiana, os clubes e os gestores terão nas próximas semanas a oportunidade de traduzir a indignação da queda em propostas concretas — ou repetir um ciclo de respostas imediatistas que pouco alteram a substância do problema.