Hyundai NEXO: a prova que o hidrogênio convence na estrada
Hyundai NEXO: prova de que o hidrogênio funciona na estrada — conforto, 204 cv, até 826 km WLTP e interior tecnológico para viagens longas.
RESUMO ✦
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Hyundai NEXO: a prova que o hidrogênio convence na estrada
Assumindo uma postura calma e deliberada, a Hyundai NEXO dirige-se com a suavidade de um elétrico, mas revela um modo distinto de entender a mobilidade elétrica: ela é movida a hidrogênio. Ao volante, a impressão imediata é de silêncio e regularidade — para mais vivacidade basta selecionar a modalidade SPORT — e a complexidade técnica que pulsa por baixo da carroceria rapidamente perde-se diante da experiência de condução.
É importante lembrar um ponto técnico que altera a narrativa: o hidrogênio não aciona diretamente as rodas. Ele abastece uma célula a combustível que gera eletricidade; é essa eletricidade que alimenta o motor elétrico responsável pela tração. No caso da NEXO, o conjunto entrega 204 cavalos (150 kW) e 350 Nm de torque. São números que se traduzem em 0-100 km/h em 7,8 segundos (com rodas de 18") e velocidade máxima de 176 km/h — desempenhos adequados para um SUV pensado para viagens confortáveis e silenciosas.
Em termos de autonomia, a Hyundai anuncia até 826 km no ciclo WLTP, cifra que posiciona a NEXO como um veículo destinado àqueles que valorizam longos percursos sem paradas frequentes para reabastecimento, desde que exista infraestrutura de hidrogênio disponível.
O design representa uma mudança de passo em relação à geração anterior. Denominado “Art of Steel”, o novo desenho privilegia superfícies sólidas, proporções definidas e um frontale muito reconhecível. A assinatura luminosa remete ao universo HTWO, a identidade do grupo Hyundai para soluções de hidrogênio. Detalhes como maçanetas ocultas e faróis Full LED conferem modernidade sem exageros futuristas. Com 4,83 m de comprimento, 1,86 m de largura e 2,79 m de entre-eixos, a NEXO se estabelece como um utilitário familiar orientado a viagens; as rodas podem ser de 18" ou 19", com pequenas variações em autonomia e comportamento dinâmico.
O interior é um dos pontos mais fortes. O painel é limpo e funcional, dominado por dois displays de 12,3" que dão uma imagem tecnológica, porém sem o efeito “cabine espacial” que por vezes distancia o condutor. A posição de condução é confortável, com boa visibilidade geral, embora a visão pelo retrovisor central possa ser limitada se um passageiro alto ocupar o banco traseiro central. Espaço não falta: são cinco lugares verdadeiros e um porta-malas de 510 litros que, mesmo com os tanques de hidrogênio acomodados, salta para 1.630 litros com os encostos rebatidos.
A versão XClass acrescenta couro, bancos dianteiros ventilados, traseiros aquecidos, ajustes amplos para o condutor, head-up display e um sistema de som Bang & Olufsen. A dotação tecnológica segue completa: sistema multimídia com navegação, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, Bluetooth, carregador por indução, serviços Bluelink e atualizações OTA. A interface é limpa e ágil; o pacote de assistências à condução (ADAS), incluindo controle de cruzeiro adaptativo, é generoso e reforça o caráter de veículo para deslocamentos seguros e relaxados.
Como analista, vejo na NEXO mais que um exercício técnico: ela representa uma alternativa madura à mobilidade elétrica de bateria, com vantagens claras em autonomia e tempo de reabastecimento, mas condicionada a fatores externos, como a rede de postos de hidrogênio e a economia de escala. A NEXO é, sobretudo, um veículo de intenção — prático, tecnológico e pensado para quem viaja longas distâncias sem abrir mão do silêncio e do conforto.