Itália fora do Mundial: Bósnia elimina Azzurri nos pênaltis e acentua crise do futebol italiano
Itália é eliminada pela Bósnia nos pênaltis e fica fora do Mundial; análise do fracasso estrutural e do jogo decidido após empate por 1-1.
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Itália fora do Mundial: Bósnia elimina Azzurri nos pênaltis e acentua crise do futebol italiano
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Foi uma noite que, mais que um resultado esportivo, desenha um diagnóstico: a Itália está fora do Mundial novamente. Em Sarajevo, a seleção dirigida por Gennaro Gattuso empatou em 1-1 com a Bósnia nos 120 minutos, abriu o marcador com Moise Kean aos 15 minutos, cedeu o empate de Tabakovic aos 80 e acabou eliminada nos pênaltis — 5 a 2 — com a série decidida por Bajraktarevic e marcada pelos erros de Pio Esposito e Cristante.
O revés confirma algo já dolorosamente conhecido: esta é a terceira Copa do Mundo perdida em sequência pela Itália. Não se trata apenas de um tropeço tático; é a evidência de uma crise estrutural que atravessa federação, formação e escolhas de projeto. Em campo, porém, os sinais foram claros desde cedo.
Gattuso manteve a mesma equipe inicial que vencera a Irlanda do Norte em Bergamo: Kean e Retegui no ataque, Politano e Dimarco abertos nas faixas, Tonali, Locatelli e Barella no miolo, e uma linha de três defensiva formada por Mancini, Calafiori e Bastoni a proteger Donnarumma. A Bósnia, com o veterano Edin Dzeko guiando o ataque, apostou em pressão alta desde o princípio.
Aos 15 minutos, um erro do goleiro Vasilj abriu espaço para Barella, que serviu Kean na entrada da área; o atacante concluiu de primeira, colocando a bola no ângulo e anotando o seu oitavo gol em seis partidas consecutivas com a camisa azzurra — um número que o insere em companhia de nomes históricos como Baloncieri (1928), Riva (1969) e Bettega (1977).
A Bósnia, porém, não recuou. Criou chances, testou Donnarumma e forçou o recuo italiano. O jogo mudou aos 41 minutos: Memic arrancou pela esquerda, Bastoni cometeu falta de último homem e foi expulso com cartão vermelho direto. A partir dali a partida ganhou contornos de tensão permanente; a Itália seguiu tentando administrar com dez, mas a busca por um segundo gol diminuiu a presença ofensiva.
No segundo tempo, a Bósnia manteve a pressão e encontrou o empate aos 80 minutos com Tabakovic, que puniu uma defesa italiana tímida e equilibrou o marcador. Nos 30 minutos adicionais, nenhuma das equipes conseguiu desempatar e a decisão foi para as penalidades.
Nos pênaltis, a frieza e o preparo psicológico definiram a diferença. A Bósnia converteu cinco cobranças; a Itália errou duas — Pio Esposito e Cristante — e viu Bajraktarevic assumir o papel de executor do destino: a cobrança decisiva decretou o adeus italiano ao torneio.
Mais do que apontar culpados individuais, a eliminação impõe uma pergunta estratégica: como reconstruir uma seleção que, historicamente, se apoia em juventude de clubes fortes e em centros de formação consolidados, mas que hoje mostra fragilidades físicas, táticas e de identidade? A saída de campo dos jogadores azuis não foi apenas decepção; foi o desvelar de uma transição que não aconteceu.
Dentro dessa leitura, a permanência de Gattuso à frente do projeto e as escolhas de elenco deverão ser debatidas com calma — e com coragem política. Torcedores e dirigentes necessitam de um plano claro: formação, calendário, coordenação entre clubes e seleção. Sem isso, o fracasso corre o risco de se transformar em padrão.
Do ponto de vista esportivo, fica a imagem de Kean — novamente efetivo — e de um time que, mesmo com bons momentos, não resistiu ao peso de jogar em desvantagem numérica e à superioridade emocional da equipe bósnia na hora das cobranças. Para a memória do futebol italiano, é mais um capítulo amargo que exige leitura atenta do passado para reinventar o futuro.